sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Bagunça


Às vezes comparo a nossa bagunça emocional e mental com um quarto bem desarrumado, daqueles que ao entrarmos sentimos desconforto, mas mesmo assim não temos coragem de sentar e arrumar. É mais fácil deixar ali e se acostumar com as coisas fora do lugar, algumas estragadas, outras bem posicionadas. Mas aí chega aquele dia  inevitável, o de arrumar o quarto, separar os papéis velhos, lixos que ficaram acumulados embaixo da cama, juntar algumas roupas que ficaram jogadas num canto qualquer.  
Ao entrar no quarto você já vai querendo desistir, pensando que poderia fazer alguma coisa melhor, e pior, percebe que vai levar horas para arrumar e provavelmente alguns minutos para bagunçar tudo de novo. "Tudo bem" você pensa, coloca música pra ver se ajuda, começa a cantar junto e quando se toca, já está dançando com a vassoura. Até que não está sendo tão ruim assim, duro mesmo vai ser na hora de separar os papéis, principalmente quando você pensa que tudo tem valor e que vai precisar um dia. Difícil, mas necessário.
Assim é o dia que você para e senta pra pensar na vida, nos acasos, amores, brigas, problemas que por menores que sejam estão  te tirando o sono. Você logo quer deixar pra lá, procura fazer qualquer coisa para não pensar, liga para alguns amigos, aluga alguns filmes. Mas é tão inevitável como o dia de arrumar o quarto, até porque essas coisas estão te levando a loucura, e você tem que se livrar LOGO.
Novamente coloca algumas músicas que ajudem a pensar, procura achar respostas de forma aleatória e menos dolorosa. Depois de um tempo não começa a dançar com a vassoura, mas consegue rir de alguns problemas. Parabéns, você deu um passo e tanto.
Fica o dia pensando, se machucando, sentindo saudades. Você se torna uma verdadeira montanha russa de emoções e sabe, que para tudo desandar de novo, basta uma palavra, um gesto, um olhar mais duro. Ninguém disse que seria justo. Ninguém nunca disse que seria fácil. Quase nunca ninguém quer admitir que é necessário, mas em uma coisa todos concordam: encarar as dores, a vida e provavelmente assuntos que você nem quer acreditar que sejam verdadeiros, é difícil e a maioria não o faz para poupar sofrimento. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Eu te amo, só que não.



Hoje é preciso ter muito cuidado com o famoso e tão esperado "eu te amo", que parece ter se tornado a moda do momento.

Você conhece alguém e fica fascinada pelas qualidades e pelo de interesse que ele passa. Em alguns meses já está mais do que encantada e pronta pra falar, mas não tem coragem. Não sabe se vai ser bem recebido, se vai ser estranho. Melhor esperar.

Vocês saem para jantar e conversa vai, conversa vem, você escuta "Eu te amo". O QUE? Será que foi isso mesmo que você ouviu? O coração começa a querer sair pela boca, a respiração fica mais difícil, as mãos tremem e você nem pensa duas vezes e fala: "TAMBÉM TE AMO". Mas acontece que ele estava contando uma história e no meio disso tinha um "eu te amo" que foi dito por alguém.Você se toca e fica confusa, vermelha, quer sair correndo, se enfiar em algum beco e nunca mais olhar na cara dele. É, minha cara, você deu um fora daqueles.

Ele, por sua vez, tenta não demonstrar que está nervoso e nem soltar aquela gargalhada pro clima não ficar pior. Agora já era, o jeito é aceitar a situação que nenhum casal durante um encontro quer passar: aquele momento em que ninguém consegue falar nada e um fica olhando pro outro com cara de caneca.

Você tenta puxar assunto, mas nada de interação. Tenta contar uma piada, mas está tão sem graça que nem consegue abrir a boca direito.

Ele nem olha mais nos seus olhos e pede logo alguma coisa para beber. Você acompanha e ficam nisso por uns longos dez minutos, até que alguém resolve abrir a boca:

- O jantar está ótimo, não?

- Pois é. Restaurante bom, comida boa. - Você responde e nem sabe mais o que está falando.

- É. Acho que está ficando tarde, amanhã vou trabalhar cedo - Ele responde, você escuta, mas não aceita porque no começo da conversa ele tinha falado que no outro dia seria sua folga.

- Vamos pedir a conta, então. - Melhor decisão tomada. Pagar a conta, entrar no carro e correr pra casa para se deprimir.

Enquanto volta pra casa, fica pensando em o quanto foi boba, o quanto ficou distraída com aquele sorriso, aquele jeito e nem prestou atenção na conversa, só ficou focada no tal do "eu te amo", que parece ter estragado a noite. Aí começa a pensar que ele tem sido tão falado, mas ainda assim é tão forte.

Quer dizer, tem gente que é casado há dez anos e se o homem fala pra mulher "eu te amo" está tudo bem, ela acredita e fica por isso, mesmo. Ele pode até amar, mas será que ainda é apaixonado? Amar é algo tão singular e tão individual. Você ama seu pai, sua mãe, seu cachorro, seu amigo, mas o amor que pega é aquele que você se envolve com alguém que te provoca arrepio, momentos de sorrisos infinitivos e toda aquela vontade de construir uma casa, casar e ter filhos (ou um cachorro).

O amor vai além dessa simples frase, além disso que pode mudar a vida de alguém em questão de segundos. Você estava lá sentada e ansiosa para ouvir alguma coisa e ouviu, mas na hora errada e com a intenção errada. Agora, mais calma, começa a perceber que ele até poderia te amar. Amar é demonstrar, acima de tudo. Com essa banalização de “eu te amo” fica até difícil de você acreditar que está sendo amado, mesmo. Amar é você segurar a mão do outro enquanto conversa. Amar é olhar nos olhos e ficar encantado. Amar é comprar um presente sem precisar de uma data especial. Amar é escrever bilhetes, mandar mensagens, ligar para dar boa noite, bom dia, boa tarde. Amar é ser brega, sim! Amar é respeitar o outro, ser fiel e honesto. Amar é procurar ser feliz e fazer o outro feliz. Amar é cuidar, é se importar. Amar é perceber quando algo não está bem e tentar fazer algo pra resolver. Amar é se interessar pela vida do outro, pelos eventos corriqueiros, mesmo quando nem parece tão interessante. Amar é perdoar, mesmo que seja difícil e mesmo que você não consiga logo de cara. Você vai implicar, bater na mesma tecla algumas vezes, mas depois vai se tocar e dar um desconto. Amar é tudo isso. Amar muitas vezes é só um sorriso, um abraço, um carinho. Nada muito exagerado. Amor da forma mais simples e barata.

Acontece que agora você já até apagou o número do celular dele e o conhecendo bem, ele também deve está envergonhado e não vai ligar, a única coisa que você pode pensar é: A gente pode até se amar, só que não.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012



Que a vida é cheia de emoções, eu sei. Sei também que é preciso saber perder algumas e lutar para vencer outras. Nem sempre será fácil. Nem sempre vão sorrir para você e nem sempre vão querer o seu bem, mas você precisa ser mais forte do que isso. Você precisa ignorar toda essa energia negativa e ser mais alegre, tomar um banho de chuva, observar o por do sol às vezes e desfrutar da própria companhia. Isso não é egoísmo, mas sim amor próprio.

Amamos toda hora. Há quem ame cinco pessoas em menos de cinco dias. Há quem ame uma pessoa durante toda a vida. Há quem não ame ninguém e você precisa entender isso. Eu já entendi. Vou cuidar dos meus sentimentos e você, por favor, cuide do seu. Vai, tenta cuidar dos seus objetivos, dos seus sonhos, dos seus amores, família e amigos e deixa que eu continuo cuidando do meu. Vou errar, você vai errar, todos vão errar. Se alguém chegar até você e falar que nunca errou ou que nunca se arrependeu de nada, é um m
entiroso dos maiores.

Eu me arrependo de ter jogado alguns rabiscos foras, me arrependo de não ter aproveitado algumas oportunidades, me arrependo de ter falado ou deixado de falar algumas coisas, mas me arrependo e tento tirar alguma coisa com isso.

Enquanto a gente vai se arrependendo e aprendendo, a vida segue e algumas vezes vamos acertar e outras vezes vamos errar. Precisamos apenas estar em paz. Entenda que se você acerta mil vezes, poderá até ser reconhecido, mas se você erra um ou duas, as pessoas vão te julgar e falar que você não é capaz. Isso é normal. A gente tem mania de apontar os defeitos dos outros porque isso tira o foco dos nossos próprios defeitos e a gente acaba nesse ciclo de disse me disse, de sou melhor ou pior que você. Tenhamos paciência. O importante é você ter consciência tranquila e estar feliz e realizado com o que está fazendo. Quando existe talento, boa vontade, trabalho e amor pelo o que se faz, por quem se faz e pelo o que é, tudo fica bem no final e os acertos se destacam em meio aos erros.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uma mente (quase) torturada - Parte 1



Para não comprometer a minha sanidade como pessoa real, decidi criar uma excelente personagem que viverá os meus devaneios mais bonitos e estranhos. Existe uma linha tênue entre fantasia (ficção) e realidade. Por isso o quase entre parênteses. Nem tudo que será falado aqui tem a ver com quem realmente sou. Todos tem um lado fantasioso fértil e o meu não fica atrás. Portanto, não há tanto o que temer pela sanidade da pobre escritora (eu) e comportamento duvidoso (possivelmente instável). Vamos começar.

Por motivos fortes, até, escolhi Clarice para ser o nome da minha criatura. Vou apresentá-la com o tempo. Bicho como ela não deve ser decifrado de uma vez (até mesmo porque ainda não sei exatamente como a pequena é). Pode ser fruto da minha fantasia, mas é mais real do que você, que está sentado e lendo esse rodeio todo. Está começando a ficar cansado? Ora, não seja mole. Prometo que em alguma linha terá algo interessante.

Alguns pontos importantes sobre a nossa menina: Clarice é pequena, calada, um tanto estranha mas bastante inteligente. Gosta de coisas simples, como:chutar pedras, observar e escutar a chuva, tomar café, ler, escutar música, pensar, sentir e ser. Ser todo mundo é, mas Clarice é mais. Clarice é o SER no sentido literal e absurdo. É um tanto burrinha às vezes, devo admitir. Mas quem não é? Não podemos sacrificá-la por ignorância inata.

Diferente x normal


Certa vez você disse que o meu jeito diferente que me fazia ser interessante. Não me acho interessante e nem acho que tenho um jeito diferente. Ora, sou tão normal. Gosto de livros, de cinema, de sorrir, escrevo um pouco e imagino bastante. Até as pessoas que gostam de parecer "fúteis" são assim. Na pior das hipóteses, gostam de filmes e livros que se encontram no mesmo nível. Gostam daqueles filmes que você só tem coragem de assistir se estiver com muitos amigos, para poder ter graça . Os livros, então, lástimas, mas não podemos julgar o livro pela capa e nem pelo autor e muito menos pelo leitor. Afinal, gosto é uma coisa muito individual e se eu começar a falar sobre isso, vai dar briga e eu nem tenho mais paciência para isso tipo de coisa.
Depois, você veio com aquela conversa de que tomo muito café e de que isso é coisa de velho. Aproveitou para falar que eu escuto muita música antiga. Só faltou dizer para eu escutar sertanejo. Tudo contra, mas respeito. Melhor que não mexa nos meus cds e muito menos no meu café, caso queira sair ileso dessas conversas. Aí eu comecei a perceber, não é que eu seja diferente e por isso sou interessante, é que hoje a maioria não tem os mesmos gostos que eu. Já estava ficando preocupada com esse negócio de ser diferente. Você e os outros falam como se eu fosse de outro planeta simplesmente por ser normal. Vai entender.
Cá entre nós, estranho é quem acha bonito ficar pagando mico só para chamar atenção e ser o comentário da noite. Estranho é o cara que jura amar a mulher, mas não consegue demonstrar um pouco de afeto. Estranho é você que fica me olhando e tentando me analisar, como se quisesse descobrir algo de mim, mesmo sabendo que não tem a menor chance.
Outra vez você me encontrou cantando sozinha na rua e perguntou se tinha acontecido algo extraordinário. Disse que não e você respondeu "as pessoas estão olhando". Ué, as pessoas tem que olhar, mesmo, ou você acha que estou aqui para ser mera figurante da minha própria vida? Não preciso de que aconteça algo excepcional para cantar sozinha na rua e nem para sair dançando por aí. Acontece que hoje as pessoas estão mais contidas. De tanto mascararem tristeza, estão mascarando até alegria. Faça um teste, aposto um terço da minha dignidade de que ao menos dez pessoas que ficaram olhando para mim queriam fazer o mesmo." Vamos cantar algo, galera. Nem precisa ser afinado, mas vamos cantar algo que preste, senão nem presta". Aí você começou a rir de mim e ficou pensando que sou louca, mesmo. Comecei a ficar um pouco irritada. Essa mania de estar enquadrado na formal aceitável da sociedade é chata demais, cara. Você só tem que ser do bem, ter caráter e ser feliz sem precisar passar por cima de ninguém. Sabe, deixa de lado essa pressão, tira o paletó, coloca uma regata e vai andar um pouco na praia. Sai mais cedo do trabalho e vai ver o por do sol. Vai ao cinema, canta sozinho no carro e para de se importar se alguém vai ficar olhando ou achando graça. Quem tem que achar graça é você. Quem tem que ser feliz é você. Se pensar desse jeito e agir assim é ser diferente e interessante, prazer, sou diferentemente interessante e feliz.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O amor e seus sintomas.


Olha, eu não sou de ficar puxando assunto com ninguém, mas gostaria de saber como anda sua vida. Seus olhos estão meio inchados, gostaria de saber se andou chorando e o motivo, sabe? Não que eu vá conseguir te ajudar. Não que eu vá resolver seus problemas, só que às vezes é bom falar. Às vezes é bom perder a postura de feliz e admitir que nem tudo está bem.
Não vou te analisar, até porque ainda nem aprendi a fazer isso direito. Só quero mesmo saber se esse olhar vazio é de tristeza ou de pura distração. Você nem se quer tomou o refrigerante. Nesse tempo que estamos aqui, o gelo já derreteu e o gosto deve ta péssimo. Voltando ao assunto, eu não sou de me meter na vida de ninguém e muito menos faço do tipo que diz que entende, só que não ta entendendo nada. Se eu entender, vou falar. Se eu não entender, vou pedir desculpas e perceber que teria sido melhor não ter tocando no assunto.
Também não gosto de tocar em assuntos. Prefiro que eles venham até mim, mas nesse caso, preciso cutucar porque essa sua mania de ficar rodando o celular na mesa já está irritando e é um forte indício de que quer falar, mas não sabe como.
Já estamos aqui há quase duas horas e as únicas coisas que você falou foram sobre livros e filmes, será que vou ter que entrar num jogo de decifrar o que você quer dizer desse jeito mascarado? Vou, né? Então, deixa eu pensar um pouco: Você comentou que leu a antologia completa de Vinicius de Moraes, escutou quase todas as músicas famosas dele em parceria com Tom Jobim, ficou cantarolando Preciso dizer que te amo e justificou ter escutado na rádio e que tirou o sábado para assistir P.S Eu te amo, O amor não tira férias e Simplesmente amor.
- Agora entendi. O nome disso é amor.
- É...
- Melhor não tocar no assunto, mesmo, né?
- Sim. Peça a conta e vamos embora. Isso tá começando a me dar alergia.
- Por que?
- Porque não to pronto.
- Pronto pra que?
- Pra isso. Pra esse negócio de amor e seus afins.
- E agora?
- Agora nada. Vamos pagar a conta e fingir que nada disso aconteceu. Você não viu, não ouviu e não descobriu nada. Para todos os efeitos, estou com os olhos inchados de cansaço e olhar vazio por distração.
- Tudo bem, mas esse amor?
- Uma hora ele desiste e vai embora, ou uma hora eu desisto e vou atrás dele.
- Você vai desistir de que?
- De evitar esse negócio de amar. Agora já ta bom, antes que você me faça falar.
- Por esse jogo de resistência, se você sabe que quase sempre quem ganha é o sentimento?
- Você não entende, né?
- Não!
- Então melhor todo mundo esquecer o assunto e ficar por isso, mesmo. Quando você começar a entender, a gente cutuca esse assunto de novo.
- Ta bom, mas quando será que vou começar a entender?
- Quando você chegar até mim e falar que trocou os livros da Clarice pelos de Vínicius e quando ficar com esse rosto apreensivo, que todo apaixonado tem. Quando você trocar os filmes de suspenses por comédias românticas e começar a analisar cada música que está escutando. Quando você começar a achar romântico um passeio na praia no final de tarde, assistir a um filme no meio da semana e andar sempre arrumada, mesmo quando bater aquela preguiça.
- Melhor a gente parar por aqui, mesmo.
- Pois é. Parece que vai chover, né? Melhor a gente correr.
- Vamos, então.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Vontade de viver sem me notar



Às vezes queria ser uma mera figurante na vida, sem nem influenciar ou ter que decidir nada. Na verdade, eu só queria mesmo era poder observar. Bom mesmo é ficar um pouco neutro em algumas situações.

Sinto um aperto no peito quando me deparo com tantas coisas erradas, coisas que por mais que eu grite, sei que provavelmente não fará diferença,aí volto a me sentir completamente inútil.

Acho que feliz mesmo é quem consegue, apesar de todas as agruras da vida, bater no peito e falar que está vivendo. Bom mesmo é passar na rua e sair absorvendo um pouco da esperança e força dos trabalhadores. É como se reiventar voltando pra casa. Eu me reinvento toda hora, mas às vezes sinto que estou um lixo. Aliás, você se reciclou recentemente? NÃO? aconselho que faça isso. LOGO.

Acontece que, de repente, eu sinto uma vontade enorme de sair correndo por todas as ruas do mundo, conhecer todas as pessoas e depois sumir, não merecendo nem ficar como lembrança. Poderia escrever sobre cada um, desde o mais triste, até aquele absurdamente alegre, sabendo que vivi para eles, mas nem se quer notei a minha respiração, a minha pulsação rápida de tanto correr.

Diariamente passo pelas mesmas casas, muitas casas. Algumas com cadeiras na varanda, outras com tantos carros que quase não tem espaço pra andar. Imagino logo que as que tem cadeiras, as pessoas são mais unidas e apreciam ao menos uma boa conversa. Já as que tem tantos carros, passa a impressão de que é cada um para um lado e pronto, se veem quando passam um pelo outro chegando ou saindo de casa.

Queria poder andar na rua sem ser notada, mesmo que muitas vezes eu realmente não seja notada, por conta da distração ou pressa que nos impede de tantas coisas,até mesmo de notar uma menina qualquer que vai andando com uma mochila nas costas, chinelos e um rosto com a feição séria, que ás vezes mostra até antipatia. Eu não sou antipática,diga-se de passagem.

Tenho orgulho da minha gente sofredora, mas sinto por aquelas que vivem na ilusão de uma vida boa, mas mascaradas por erros, mentiras e frieza. Por alguns momentos desejo mesmo é ser um pouco roterista, mas quem sou pra dizer como seria um mundo melhor?. Bom mesmo seria ir vivendo sem me notar um pouco, apenas caminhando sem sentir as pernas, o cansaço e a vontade de ficar parado sem saber pra onde ir.


Vai, senta aí. Relaxa um pouco. Respira mais devagar e presta atenção nos detalhes da sua vida, das suas coisas. Às vezes queremos tanto alcançar todos os nosso sonhos de uma vez, que envelhecemos dez anos em um e acabamos não aproveitando aqueles momentos pequenos, mas que são sagrados, sabe? Deixamos de nos encantar por um sorriso bonito, por um abraço seguro, por um momento agradável. Trocamos alguma diversão pela cansaço, a amizade por trabalho e depois ficamos infelizes e reclamando da vida. Senta aí e vamos tentar para com isso. Não ta feliz com o trabalho? Saí e vai atrás do que te anima e que te da dinheiro. Não ta feliz com os amigos? Explica a situação e conheça pessoas novas. Não ta feliz com você? Reveja seus conceitos e recicle suas ideias, mas senta um pouco aí, vai. Vamos conversar por uns dez minutos. Vamos ser íntimos por alguns segundos. Vamos fingir que nos conhecemos desde o começo de nossas vidas e depois vamos levantar daqui, cada um vai para um canto e pronto, fica aquela dúvida: como será que vai continuar a história dele? Poderia ficar sentado aqui todos os dias, esperando que ele volte e esperando que me conte se o emprego novo deu certo, se os amigos são os mesmo. Queria saber se está feliz.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Ponto de vista


Depois de ontem, passei a ver a vida de uma forma diferente.
Às vezes me pergunto o motivo pelo qual nos deixamos cativar. Sabemos, que de uma forma ou de outra, terá um fim, uma despedida, um adeus, mas ainda assim construímos uma história, lembranças, saudades.
Temos a opção de não ter nada, para não ter do que ou de quem sentir saudade, mas por outro lado, seríamos ocos, solitários. Em vez disso, construímos famílias, mesmo sabendo que nem tudo poderá sair conforme o planejado. Temos filhos, netos, sobrinhos, animais.Penso que a lembrança por um lado nos faz feliz e por outro, destrói o coração. Por um lado, fica o sorriso ao lembrar de um momento feliz e por outro lado, a tristeza e agonia de querer a presença.
A vida realmente é curta demais para se preocupar com coisas pequenas e detalhes que só conseguimos enxergar com uma lupa. Cada acontecimento triste ou difícil me faz ter cada vez mais certeza de que a minha prioridade é ser feliz, cuidar de quem me faz feliz e não me cair no erro de me apegar a coisas materiais ou ao dinheiro.É preciso se manter, mas é preciso saber a diferença entre as prioridades. Normalmente quem prioriza o dinheiro e o trabalho, acaba por ser infeliz e sozinho.Hoje, mais do que nunca, vou priorizar as minhas leituras, meus poucos amigos, minha família, minha escrita e meus cachorros, porque eles sempre me deram carinho e alegria. Porque parece bobagem ficar triste ou se importar demais com um animal, mas pensando bem, eles valem e sabem mais das coisas boa da vida do que uma pessoa.Depois de ontem, não vou permitir deixar de viver a vida por coisas pequenas.Quero me deixar cativar cada vez mais pelas coisas simples e bonitas que posso e encontro por aí.
Penso que a lembrança por um lado nos faz feliz e por outro, destrói o coração. Por um lado, fica o sorriso ao lembrar de um momento feliz e por outro lado, a tristeza e agonia de querer a presença.
A vida realmente é curta demais para se preocupar com coisas pequenas e detalhes que só conseguimos enxergar com uma lupa. Cada acontecimento triste ou difícil me faz ter cada vez mais certeza de que a minha prioridade é ser feliz, cuidar de quem me faz feliz e não me cair no erro de me apegar a coisas materiais ou ao dinheiro.
É preciso se manter, mas é preciso saber a diferença entre as prioridades. Normalmente quem prioriza o dinheiro e o trabalho, acaba por ser infeliz e sozinho.
Hoje, mais do que nunca, vou priorizar as minhas leituras, meus poucos amigos, minha família, minha escrita e meus cachorros, porque eles sempre me deram carinho e alegria. Porque parece bobagem ficar triste ou se importar demais com um animal, mas pensando bem, eles valem e sabem mais das coisas boa da vida do que uma pessoa.
Depois de ontem, não vou permitir deixar de viver a vida por coisas pequenas.
Quero me deixar cativar cada vez mais pelas coisas simples e bonitas que posso e encontro por aí.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012


Tô chegando a um ponto que não quero mais me preocupar. Já fui mais sensível às coisas da vida, do mundo, das pessoas. Não deixei de ser assim, mas agora percebo que sofrer faz bem porque depois que passa traz um paz, uma sensação de "sobrevivi e sou mais forte do que imaginava".
Acho as pessoas engraçadas. É interessante a forma como uma hora elas amam alguém e logo depois já as odeiam ou guardam rancor. Faz mal guardar rancor. Dizem que deixa o espírito perturbado, o psicológico abalado e pode dar rugas.
Entendo que perdoar é difícil. Não é qualquer um que consegue e nem são todos que tentam. Se você desculpar já é uma avanço, não? Sou a favor de não esquecer, mas dar uma segunda ou até terceira chance. Se por acaso não melhorar, abre mão e fica livre para outra coisa boa cair em você.
Sorria ao menos uma vez por dia. Se por acaso for um dia daqueles que você não quer nem respirar, pra não se irritar com o esforço, chega em casa, toma um banho, deita e vai ler um livro ou ver um pouco de tv. Tenta não descontar nos outros. Tenta não afastar os que mais te agradam e o que mais te amam.
Tô chegando a conclusão de que a vida é algo rápido, simples e gostosa, que nem miojo, mas tem que ser preparada e comida do jeito certo, se não fica sem graça e às vezes sentimos vontade de jogar fora. Eu sei preparar um bom miojo e vou começar a preparar minha vida assim, também.



Volta

Voltei para as minhas letras, as minhas frases, as minhas vírgulas.
Voltei para o tec-tec da máquina de escrever, para os inúmeros pedaços de papéis rabiscados e espalhados pelo quarto.
Voltei a perceber as coisas de forma mais íntima e percebi que me manter mais distante de tudo só tira a essência das coisas. Percebi que eu sou feita disso, mesmo. Eu preciso analisar as coisas e pensar sobre elas. Ao mesmo tempo, eu só gosto de ficar olhando, escutando e pensando. Acho que falo quando é necessário, mas às vezes não consigo ficar calada.
Voltei a digitar coisas sem nexo que no fim das páginas fazem todo o sentido.
Entendi que ser feliz é mais simples do que parece, a gente que complica tudo.
Cheguei à conclusão de que um sorriso por dia é o suficiente para que levantar da cada e viver valha a pena.
Também notei que as pessoas e o mundo andam um pouco mais doentes, apressadas e cheias de egoísmo. Tenho receio de ser egoísta assim, então optei por não me preocupar mais tanto.
Voltei a me preocupar com a quantidade de açúcar que tem o meu café. Voltei a me importar com os meus livros organizados por escritores ou assuntos.
Voltei ao meus vícios que me fazem tão bem, a minha rotina de pensamentos, rabiscos, devaneios e felicidade interna.
Voltei a ser feliz.

terça-feira, 27 de março de 2012




Infinitamente penso em você por aí. Chega a ser engraçado. Olho para um cachorro na rua, lembro de você. Vejo uma coisa engraçada, lembro de você. Vejo uma família, penso em você. Durmo, sonho com você. Acordo, desejo um bom dia a você. Rezo, peço por você. Passei daquele estado de graça e me encontro em você. Isso tem dado medo, já que parece que estou fraca. Estou um pouco doente, talvez. Não sei se consigo ficar em pé direito, ainda mais depois de o meu coração ter se entristecido, mas ainda penso demais em você. PENSAR: a única coisa útil que realmente sei fazer. Você: a única pessoa que amo. Complicado perder a utilidade e o amor.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Uma questão de futilidade pública?




Melhor mesmo é se afastar, se você quiser se salvar dessa loucura toda.
Pessoas falam mais do que devem. Pessoas se metem mais do que devem. Pessoas estão virando verdadeiras privadas ou esgotos, onde a mídia e nós mesmos vamos depositando as nossas coisas e pensamentos podres.
Tenha amigos, mas poucos e verdadeiros.
Não sou de ter muitos amigos, mas os poucos que tenho sei que estarão comigo em qualquer momento, inclusive naquelas horas delicadas e tristes.
Prefiro manter o meu silêncio e a minha personalidade pouco influenciável, se é que isso existe.
Também sou produto do meio, mas não preciso me lançar nessa pocilga sem pensar em algum futuro.
Melhor eu me recolher, cultivar os meus sorrisos, a minha pouca sabedoria e as minhas coisinhas ultrapassadas.
Não tenho e nunca tive a obrigação de ser amiga de ninguém e muito menos de me misturar com todo o tipo de pessoa.
Hoje corremos mais do que nunca e esquecemos aniversário, telefonemas, consultas médicas e até de pessoas. Hoje o nível de estresse tem estado no seu limite, a ponto de explodir para dentro e por isso  estamos cheios de crises, antidepressivos e os psicólogos mal tem tido tempo para eles.
Preocupem-se mais com a vida de vocês, senhores. O que a vizinha faz ou deixa de fazer é problema dela. Enquanto não interferir diretamente na sua, por que se importar tanto? Vejo pessoas que deixam de viver para observar cada passo de outra e usam qualquer coisa para infernizar a vida de alguém. Enquanto ninguém mudar isso, ficaremos nesse ciclo maldito onde o que realmente importa é ignorado e as futilidades não só viram assunto na mídia, no trabalho e em casa, como gastamos tempo e dinheiro incentivando esse tipo de coisa.
É PRA ACABAR!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Dia de chuva





Agora posso me dar ao luxo de dizer que entendo algumas coisas.
Hoje está chovendo sem parar. Hoje é um dia daqueles que precisamos de amor. Se não puder ter um amor, ao menos um bom cobertor.
Hoje está um daqueles dias que o pensamento fica mais lento e os sentimentos se manifestam de todas as formas possíveis.
Vejo pessoas correndo na rua. Vejo carros com vidros quebrados. Vejo um pouco de romance, um pouco de tristeza. Vejo bastante angústia, mas nada grave demais.
Me limito a escutar músicas em versões acústicas e a procurar um bom cover de uma música realmente ruim para mim.
Me vejo com as mesmas perguntas, ainda sem respostas.
Tomo café que nem uma louca. Penso "Provavelmente não dormirei a noite... Mas não durmo nem quando fico sem o café, qual a diferença? A diferença é que alimentando esse vício me sinto melhor".
Procuro ler alguns livros. Agora que voltei a usar os óculos tudo ficou mais fácil (inclusive enxergar as coisas na sala de aula).
Pretendo tomar um banho de chuva daqui para a minha casa. Espero não gripar depois. Se tem uma coisa pior que tristeza, é a gripe. Deus, gripe é como levar socos na cara e no estômago todos os dias.
Hoje é um daqueles dias que quem tem costela, corre para casa pra ficar agarrado. Quem não tem corre para casa, se cobre com um ou dois cobertores, assiste a um filme e depois vai dormir. Mais, quem não tem costela e nem bom cobertores, corre para festas ou um lugar que tenha gente o suficiente para gerar um certo calor.
Hoje é dia de viver, enfim. Colocar um roupa mais bonita, tomar alguma coisa quente e escutar música velha.
Sei lá, acho que vou sentar na minha varanda e ter uma overdose dessas coisas simples e essenciais.
Tchau.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Chuva, café e poesia.




Chuva lá fora, música tocando baixinho, o silêncio dentro de mim cutucando algumas feridas. Não gosto de ser tão provocada assim. Tenho vontade de jogar a minha consciência fora e ser livre de forma banal. O café está quase pronto, deixei um livro de poesias sobre a mesa. Estou preparando o meu terreno sagrado de serenidade. Gosto de ficar só nesses momentos.Gosto dessa imagem cinzenda que tem o dia chuvoso. Gosto porque os pensamentos ficam  mais livres,mais lentos e podemos sentir saudades sem chorar.Podemos ser nós mesmos, tomar um banho de chuva e ser um pouco feliz. Falando nisso, tomei banho de chuva hoje. Limpei a alma, o coração e boa parte do corpo. Só eu sei o quanto foi gratificante sentir toda essa água no meu rosto, tirando a maquiagem, tirando as impurezas. O café está pronto finalmente. Vou colocá-lo em uma xícara qualquer, para que ele não se sinta muito importante e não perca a humildade. Perder a humildade é quase suicídio. A verdade é que sou dependente de café. Tái a minha droga assumida. Acredito que não vou ser internada por isso. A varanda me espera, a música vai acabando, a chuva não está tão grossa como antes. Pegarei o livro de poesias com palavras e sentimentos tão sinceramente colocados e vou sair um pouco desse mundo que não me pertence. Até mais, pessoas estranhas.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Abandono



Não quero pensar nos teus olhos tristes, se por acaso eu for embora.
Que mau abandono seria. Tão vulgar. Tão covarde.
Dói pensar na minha expressão também. Arrependimento automático que sentiria tão intensamente.
Devo oferecer tão pouco amor. A minha solidão grita tanto que devo te machucar.
Não posso pedir compressão, se nem eu entendo a minha existência.
Acredito que tu sofras por conta dos meus devaneios, sim.
Que triste seria sair de cena mais uma vez de forma tão imprevisível. Surreal.
Não quero pensar na melancolia que seria se me despedisse agora.
Cultivamos uma simbiose quase perigosa.
Não quero nem pensar em...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Para sempre







Existem algumas coisas na vida que são para sempre. Os nossos pais são para sempre. A nossa infância é para sempre. Amores são para sempre. A diferença está nas escolhas que tomamos e o que desejamos levar para sempre. Você decide levar valores ou não. Você escolhe carregar amigos ou não. Você escolhe qual amor quer, também.
Bom, eu quis que você fosse para sempre. Eu quero que você seja para sempre e para sempre AO MEU LADO. Poderia aceitar facilmente te levar na lembrança, mas o meu corpo precisa sentir o seu. Preciso tocar seus cabelos e bagunça-los para que você fique com raiva. Preciso receber beijos nos olhos, na ponta do nariz e no rosto todo. Eu não quero ter que lembrar do dia que saímos para tomar um sorvete. Eu quero sair todos os dias para tomar sorvete. Eu não quero lembrar do dia que fomos almoçar fora. Quero poder ir COM VOCÊ almoçar fora. Quero que você seja o meu melhor passado, o meu perfeito presente o mais esperado futuro, entende?
Escolhi você por todos os motivos que alguém escolhe outra pessoa. Acima de tudo, escolhi você porque eu te amo. Quando falo que amo, é porque amo da forma mais estúpida, bonita, irritante e terna que alguém é capaz de amar.
Resolvi que faço e farei qualquer coisa para carregar você para sempre comigo.
Você vai ser o meu para sempre e isso basta.

E você, quem levará para sempre?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Uma carta para um eu distante.

Não sei mais sobre as horas e nem sobre o dia. Sei que tenho pressa de ir para casa. Tem gente me esperando lá.
Vou te deixar na rodoviária. Não esqueça de mim. Traga-me um presente, ta bom?
O dia está bom para viajar. A chuva não está grossa demais e nem fina a ponto de ser inofensiva. O vento não está congelante e soube que dentro do ônibus servem um bom café. Siga as instruções, ta bom? Preste atenção.
- Sente-se do lado direito, perto da janela. Você encontrará uma pessoa interessante sentada a sua frente. Ela estará lendo um livro e fumando um cigarro com cheiro de canela.
- Peça um café expresso para você e para essa pessoa. Ela gosta de café forte, portanto, um duplo para ela.
- Tente puxar algum assunto. Sei lá, pergunte sobre o dia, para que lugar está indo ou se tem filhos. Use a criatividade que eu sei que tem.
- Seu relógio está quebrado, então não serão 3:15 quando você olhar para ele. Provavelmente já serão umas 5:15. Não esqueça de conserta-lo quando chegar no ponto final. Quando você descer, encontrará um senhor que sabe mexer em um relógio como ninguém. Ele vai entregar a você um lenço, também. Acho que está ficando gripado.
- Jogue a carteira de cigarro fora. Está na hora de mudar de vida.
- Corra para o apartamento. Terá música tocando, os móveis estarão arrumados e a única coisa que precisará fazer é a seguinte: ESCREVER.

Fique o tempo que precisar em frente a máquina. Troquei a tinta. Aquela estava me irritando.
Bom, como seu consciente, devo dizer que fiz tudo que podia por você. Sou do tipo que não desiste e que não quer morrer. Dependo de você agora. Use a sua experiência e piedade. Traga-me de volta, vai. Posso ajudar você a escrever e a imaginar coisas que você nem sonha. Sou mais interessante que carteiras de cigarro e energéticos baratos. Não destruirei seu corpo.

Com amor,

você.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Múltiplas personalidades(crise existencial) e uma dose de loucura.






Não sei mais quem sou. Procuro, procuro. Procuro e não encontro quem, de fato, habita em mim. Sou tantas pessoas. Tantas coisas. Sou gente, até.
Nunca soube me definir e agora entendo o por quê. Como me definir se há tantos dentro de mim?
Segunda sou calma e serena. Terça sou explosiva e irritante. Quarta choro e peço colo. Quinta sou tudo isso e um pouco mais. Sou homens, mulheres, crianças e animais. Sou um bicho não definido. Acho que passarei o resto da vida tentando descobrir. A minha sorte é que pago consulta individual e acabo levando uma diversidade de pessoas à minha psicologa. Quando recebi alta, sabia que ia ser difícil, mas achei que não precisaria voltar. Não tão cedo, ao menos. Me enganei. Meus eus precisam de controle. Os quens dentro de mim precisam entrar em harmonia.
Ando cansada e emagreci mesmo comento normalmente. Sei que tudo isso é  por conta do meu desastre mental. Ando instável de novo. Ora quero largar tudo e ir embora, ora não quero sair de casa. Não sei mais da minha sanidade. Sempre gostei da minha estranheza, mas estou com medo de enlouquecer de vez. Sinto que fracassei, mas recaídas são aceitáveis às vezes, não é?
Sou como criança que se perdeu da mãe. Falando nisso, já perdi a minha. Sou um projeto de adulto angustiado, mas não aceito muito bem. No fundo, sou completamente feliz. Talvez remédios dessem um pequeno jeito. Mais uma vez, sei e não sei o que fazer. Peço e clamo por socorro.
Controle. Controle. CONTROLE. Tudo uma questão de controle e força de vontade. Mas não é só isso. Tem a mistura inebriante e volúvel de culpa, raiva, carência, saudade, tristeza, ansiedade e desespero. É um coquetel quase mortal. Hoje sinto-me uma pocilga. Sou a verdadeira caixa de pandora.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012





Separei a minha melhor roupa. Levei horas me arrumando e quando saí, esqueci de pegar a carteira.
Agora estava bonita, limpa e sem dinheiro.
Sentei em um banco de praça e fiquei observando as pessoas. Às vezes não consigo acreditar que exista tanta gente patética, mas isso não não interessa agora.
Acontece que achei alguns trocados perto do lixeiro. Com fome, peguei o dinheiro e fui correndo comprar um cachorro-quente. Depois fiquei pensando de quem deveria ser aquele dinheiro e se ele teria uma importância muito grande. Comecei a imaginar que aqueles trocados eram o que faltava para comprar um casa, ou um remédio que poderia salvar uma vida. Imaginei que alguém, morrendo de fome, o deixou ali para chamar os seus filhos "temos dinheiro o suficiente para comer, crianças".
Comecei a ficar enjoada e com peso na consciência, mas terminei de comer o cachorro-quente e ainda pedi uma coca-cola, para acabar de vez com a esperança do verdadeiro dono do dinheiro.
Voltei para casa e não consegui dormir. Fiquei imaginando a falta que aquelas moedas fariam. Levantei na manhã seguinte e a primeira coisa que fiz foi pegar a carteira. Não me arrumei e muito menos passei perfume. Voltei ao mesmo lugar e devolvi o dinheiro, com um pouco a mais, porque não tinha trocado.
 Agora seja "o que Deus quiser".

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

 Precisamos conversar. Não aguento mais essa dúvida, essa coisa presa em mim. Gosto de você. NÃO! NÃO! não precisa se assustar. Não quero pedir e nem cobrar nada. Só quero dizer mesmo, sabe? Sou feita disso. Chega uma hora que preciso falar as coisas de uma vez.
Não precisa ficar com essa cara, vai. Não é nada grave. Podemos reverter isso (acho). Sei que as coisas vão ficar estranhas depois. Tem dias que quando olho pra você, sinto vontade de sair correndo, mas de madrugada te acho um pouco mais atraente. Sei lá, deve ser porque nessa hora ninguém vai ver além de mim, não é?
Estou tentando falar com jeito, vai. Não quero magoar ninguém. Eu PRECISO gostar de você, até porque vou te carregar em mim para o resto da vida. A gente sempre vai ter uma ligação muito forte. Você sabe disso.
Preciso dizer que tem dias que o seu rosto parece ficar torto (ou estou ficando estrábica?). Preciso dizer que você tem uma beleza própria e cheia de interrogações. Tô cansado de ficar em pé, mas nem podemos sentar. Gosto de conversando olhando nos olhos. Coisa minha.
Bom, não vou falar mais. Você está começando a bocejar e a fechar os olhos.
Amanhã limpo direito o espelho, juro. Conversar com um reflexo falhando é pau, viu!

Insônia




3:45. Nada de sono e uma dor de estômago que está para me matar. O meu copo de coca-cola sente-se desprezado e eu mal consigo pensar. Tenho vontade de fazer muitas coisas, mas mal consigo mudar de posição na cama. Ou estou doente, ou o meu corpo se rendeu ao meu estado de espírito.
Pensei em ligar para algumas pessoas, mas nem créditos tenho, sem tirar que ninguém quer ser acordado a essa hora. Crio coragem e levanto para ligar a luz. Saco um livro da minha estante. Fernanda Young. Agora está tudo completo: insônia, dor de estômago, pobreza de espírito e Fernanda Young. Sinto-me um pouco melhor.
Começo a ler. Começo a querer vomitar e xingar tudo que ela xinga. Penso"OH GOD WHY?" Irônico, não é? Também sou fútil, afinal.
Não peço para ser compreendida. Penso que o amor já está fora de moda. Penso que dizer "eu te amo" se tornou banal. Penso que carnaval só é mais uma desculpa para não fazer nada e se embriagar. Penso muitas coisas, mas como isso não vai mudar nada, mesmo, guardo tudo para mim. Sou uma crítica incubada e medrosa.
Cheiro de cigarro me deixa enjoada. Até parece que estou grávida. Pode ser. Quando sinto cheiro de cigarro parece que vou abortar a qualquer momento. Meus pulmões começam a pular e a gritar. Não tenho mais tanta paciência.
Cheiro de bebida me irrita. Sou chata, mesmo. Gosto de ler, tenho uma máquina de escrever, escuto músicas antigas, sento na varada com uma xícara de café e sou um projeto (quase) fracassado de escritora.
Estou em um estado de transe. Se não fosse por causa do cansaço, juraria que estou drogada. Sou estupidamente careta. Não tenho coragem de me drogar. Em vez disso, fico lendo, lendo e lendo. Em vez disso, escuto música durante uma hora ou mais. Meu estômago está reclamando demais. Acho que resolvi adotar uma gastrite nervosa que não me deixa mais. Ou uma gastrite psicológica?
Gosto de pontos. Sinto que posso respirar quando uso essas coisinhas insignificantes.
Agora já chega, preciso dormir ou tentar.
Tchau!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Tédio




Sem inspiração. Sem ar. Sem vida. Sem sentido. Assim são os dias vazios, inúteis, cheios de nada. São dias traiçoeiros em que nos contentamos até com a nossa tristeza. Até mesmo com migalhas. Aliás, quem nunca ficou um pouco feliz com migalhas?.
O sol tocando o seu rosto, o vento parado, você sentado na varanda de casa ou jogado na cama tentando inventar algo para se distrair. Brincar com a própria sombrar nunca foi tão divertido, não é?.
As horas vão se arrastando, você fica cada vez mais cansado de não fazer nada. Pensa em ler um livro, mas sua mente está quase adormecida. Pensa em assistir um filme, mas nenhum parece ser bom o suficiente para salvar o dia. Liga para alguns amigos, mas nenhum atende. Lembra que dentro do armário tem uma tela que você nunca terminou, então, você pega os pínceis, as tintas e até prepara o clima com o melhor cd que tem, mas para a sua decepção a inspiração não vem e você volta para aquele tormento mais uma vez. Só há uma saída: ser forte e criativo o suficiente para sobreviver as horas que ainda restam do dia.
Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Parece que nunca vai acabar, cada tic e cada tac é como um soco na cara. Você já está desfigurado, mas não admite a derrota, mesmo que isso já esteja levando você a loucura. Fazemos de tudo para sobreviver. Agora tenho certeza, e acho que você também, que brincar com a própria sombra é o passatempo perfeito e produtivo.
Uma vez disse que era muito feliz chutando uma pedra, duvidei se você acharia o mesmo. Mas agora tenho que perguntar: HOJE você seria feliz chutando uma pedra? Tenho certeza que sim. Eu pelo menos estaria no paraíso.
Em dias assim vejo que a felicidade está em coisas tão mesquinhas, mas nunca reconhecemos porque queremos muito. Queremos superar o limite. Nos surpreender sempre. Eu também quero, mas de outra forma. Do meu jeito patético, quase infantil e um pouco arrogante. Arrogância não combina comigo, mas quem nessa vida não é um pouco arrogante? Se até as crianças que são os retratos perfeitos da inocência que ainda nos resta são arrogantes, quem está livre dela? NINGUÉM; nem mesmo eu.
De repente anoitece, o sol não irrita mais, o vento começa a tocar levemente a sua face, você tem a leve ilusão de que a tortura acabou. Só que não é bem assim. Você vai deitar, desliga todas as luzes e se prepara pra dormir. O sono não vem, ninguém teve a decência de lhe dizer que hoje é dia de ficar acordado até o corpo gritar, gritar e gritar.
Você pensa novamente em ler um livro, mas qualquer coisa tira a sua concentração. Pensa novamente em assistir um filme, mas essa hora só está passando jornais e novelas. Maldito o dia que você resolveu não pagar a conta da tv a cabo. Triste, não é? Mas pense pelo lado bom, você ainda tem a própria sombra.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Um pouco de amor, por favor. (O lado bom de amar.)





Amar tem lá suas vantagens, vamos admitir. O problema é que sempre somos mais atordoados pelas dores e loucuras que o amor nos causa. Nada pior que sofrer por amor, não é? A tristeza quase infinita, as noites em claro, um copo de bebiba (como se fosse ajudar em alguma coisa), horas chorando por alguém que você odeia mas que no fundo ama ou não consegue largar. É, sofrer por amor é como levar socos e socos no estômago. Dói e nunca esquecemos o quanto é desconfortável.
Vamos ao lado bom de amar. Vamos observar como ficamos bestas e rimos até de coisas possivelmente trágicas. Você está no trabalho e faz alguma besteira. Seu chefe chega falando sério e por conta do seu estado de graça, você sente uma vontade enorme de soltar aquela gargalhada. Seria realmente cômico se ele não fosse ficar mais zangado e pensando que você estava tirando sarro dele.
Quando amamos, sentimos aquela coisa estranha, que muitos dizem ser 'borboletas no estômago'. Não sei de onde surgiu tal comparação, até porque nunca li ou escutei relato de alguém que sentiu borboletas no estômago. Um aleluia para as definições populares sobre os sintomas de amor.
Bom, quando estamos apaixonados, conseguimos até lidar de forma mais leve com situações estressantes e tristes. Não nos importamos tanto com coisas pequenas e achamos tudo bonito. Nos inspiramos para escrever cartas e mais cartas de amor. Deixamos bilhetes bobos em cima da mesa, na geladeira, dentro da agenda. Compramos presentinhos com corações, ursinhos e flores. Queremos sair todas as noites para jantar, ir ao cinema ou simplesmente passear na praia. Ficamos nervosos para que o outro dia chegue logo e aconteça o reencontro tão esperado. Esperamos com ansiedade uma ligação de uma hora ou de um minuto apenas para dizer que está com saudades ou para dar boa noite.
Estar apaixonado é viver em permanente estado de alegria, sonhos, loucura e um pouco de desespero e medo. O amor também precisa de suas inseguraças e perigo para não perder a graça. O amor precisa doer por alguns segundos para nos lembrar que devemos cuidar muito bem dele.
Depois de um tempo, você começa a ficar em um estado mais confortável e nota que está sentindo tudo de novo. Esquece das noites mal dormidas que antigos amores lhe tiraram. Percebe que sempre vai ser assim e começa a se preparar para a noite que não dormirá novamente. Ao mesmo tempo fica besta por lembrar o dia em que saiu e ganhou uma rosa. Uma tarde que foi ver o pôr do sol com o único e grande amor da sua vida (ou não). Fica anestesiado ao lembrar da primeira vez que escutou "Eu te amo" e quase desmaiou, mas se conteve para não pagar mico.
Amar tem lá muitas vantagens. Então, por favor, jogue-se desse abismo e deixe-se amortecer por sentimentos ternos e idiotas.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O escritor e a psicóloga.





Depois de muito tempo, ele finalmente se rendeu e ligou as pressas marcando uma consulta com uma das psicólogas mais citadas da cidade. Não era nada muito grave, talvez, mas aquela vírgula tinha virado o pesadelo e o monstro da vida dele.
Chegou muito cedo ao consultório, a simpática secretária disse que a doutora só iria chegar cerca de duas horas depois.
- Você pode ir tomar café ou dar uma volta, moço.
- NÃO! prefiro ficar aqui, mas posso lhe fazer uma pergunta?
- Claro.
- O que significa uma vírgula pra ti?
- Como assim? - Bianca, a simpática secretária, respondeu um tanto surpresa. Olha que ela já tinha escutado muitas coisas nesses 3 anos que trabalhava com a Doutora Marianne, mas nunca sobre o significado de uma vírgula.
- Você deve estar achando que sou louco e que deveria mesmo era estar no consultório de um psiquiatra. É que eu meio que sou um projeto de escritor e tenho certeza que agora estou escrevendo a minha melhor obra, mas essa vírgula está me matando.
- Seu... Seu... Desculpe-me, como é o nome do senhor mesmo?
- Gustavo
- Então, Gustavo, não sou a pessoa mais indicada pra responder isso, mas se é a sua melhor obra, porque se preocupa tanto com uma simples vírgula?
- Veja bem, o meu livro precisa estar perfeito, mesmo antes de chegar nas mãos dos revisores e editores. EU PRECISO.
- Respondendo a sua pergunta, acho que a vírgula significa a respiração da frase.
- É, obrigado pela resposta. Melhor eu ficar esperando em silêncio mesmo.
Gustavo estava muito ansioso, preocupado de forma terrível com a vírgula, com a frase, com o livro todo. Ao mesmo tempo ainda tinha imaginação o suficiente para formar pelo menos umas 4 histórias naquele prazo de duas horas de espera agoniante.
- Seu Gustavo - Bianca com um sorriso encantador interrompe um dos melhores pensamentos dele - Marianne disse que já está chegando.
- Ah, que bom.
Agora o prazo era de menos de uma hora, mas os segundos começaram a se transformar em horas e ele já tinha sensação de que estava há uns 30 anos naquela sala de espera e com a sua preocupação demasiada com a vírgula.
Quando  Marianne entrou no consultório, Bianca deu um forte suspiro de alívio e Gustavo entrou em um momento rápido de pânico.
- Vamos, Gustavo? - Doutora Marianne finalmente abrira a porta e o chamava para a possível solução do dilema.
-Doutora Marinne, eu sei que você vai achar a maior besteira do mundo e que eu sou estúpido, mas isso já está me deixando louco.
- Primeiro, Gustavo, você pode me chamar de Marianne. E outra, eu já atendi pacientes com tantas manias e dilemas. Estou aqui para ajudá-lo e não para dizer que você é estúpido e que estou perdendo o meu tempo. Qual é o problema?
- Eu fico até envergonhado de falar, mas o problema. O problema é a Vírgula, Marianne. Ela está tomando conta de mim de uma forma.
- O que seria a vírgula? - Apesar de todos os pacientes, ela ficou espantada com o motivo da perturbação, mas disfarçou bem.
- Há muito tempo eu venho tentando escrever um livro bom, sabe
? Não que os outros não sejam e tudo, mas eles nunca chamam atenção. Agora eu tenho certeza que esse vai pra frente, mas tem que ficar perfeito e essa maldita vírgula está estragando tudo.
- Por que está estragando, Gustavo?
- Porque se eu a coloco na frase, é como se eu estivesse cortando-a ao meio. Se eu não coloco é como se ela estivesse perdida no meio da minha criação, da pra entender?
- Sim, mas quero que você me explique como surgiu esse dilema que está deixando você assim.
- Quando eu comecei a escrever esse livro, já estava quase desistindo de ser escritor, andei até pensando em outras faculdades. Mas aí veio essa ideia, esses personagens e eu passei a fazer parte do livro. Aí, apareceu essa vírgula maldita, que teima em querer me provocar e machucar. A senhora alguma vez já ficou abatida por uma coisa tão besta?
Aquela pergunta foi como um soco na cara para Marianne. Apesar de ela ser a psicóloga mais citada da cidade e praticamente fazer milagres com os pacientes, a vida dela não era lá aquelas coisas. Gustavo soube como atingi-la mesmo sem intenção.
- Gustavo, você tem que ver aonde quer chegar com esse livro. Você tem que perceber que essa vírgula pode ser o clímax da história do escritor e a sua criação. Não pode deixar que ela tome conta de um trabalho tão bem feito como você diz que é.
- Eu sei, doutora. Mas é que não dá pra continuar sem antes resolver isso. Acredita que eu já até tentei conversar com a vírgula?
- Conte-me como foi.
- Eu estava sentado, tentando escrever a continuação e não ligar muito para isso, mas fiquei pensando, pensando e pensando. Resolvi parar e comecei a falar: Por que você fica aí só me provocando? Por que você me impede de ir adiante e escrever algo bom? Por que você é tão cínica?
- E o que aconteceu, Gustavo?
- Ela continuou parada, me encarando, me desafiando e mostrando que eu tinha perdido a batalha, por isso estou aqui.
Marianne começou a lembrar da infância, de quando tinha dificuldade para escrever as redações da escola e sempre era pressionada pelos pais, que eram ótimos escritores. Lembrou-se até que uma vez passou uma semana de castigo porque não tinha aprendido a pontuar um texto. A usar uma vírgula. Gustavo estava tão obcecado pelo seu problema, que nem percebeu a grande psicóloga estava completamente desconcertada e até mesmo mais confusa que ele. Depois de um tempo, Gustavo deixou a importância de lado e notou algumas lágrimas vindo de quem deveria ajudá-lo.
- Algum problema, Marianne? - Gustavo perguntou com um pouco de medo.
- Nenhum, Gustavo, é apenas uma alergia. - Marianne tentou disfarçar ao máximo, mas as lembranças tomaram conta dela e era difícil manter a postura.
Gustavo levantou, foi até a recepção e pegou um copo com água para ela. Ficou alguns minutos esperando que ela se acalmasse.
- Foi alguma coisa que eu disse? Por favor, fale para mim.
- Se eu te disser, Gustavo, que eu já fiquei de castigo e muito repreendida por causa de vírgulas?
- COMO ASSIM? - Ele respondeu completamente assustado.
- Meus pais eram escritores e adoravam um português certo e de acordo com todas as regras. Eu nunca fui muito boa com letras. Na época de escola, eu tinha muita dificuldade para fazer as redações e eles sentiam-se ofendidos com isso. Diziam que eu fazia de propósito, que eu não tinha vocação para nada, já que nem se quer sabia escrever direito, o que era fácil. Fácil pra eles, é claro.
- Então você realmente sabe como eu me sinto?
- Sim, talvez não com a mesma intensidade, mas sei.
- Por favor, continue a história. Acho que não vou me importar de ser um pouco psicólogo agora.
- Bem, nós invertemos totalmente a polaridade agora, não é? - Em meio a tantas lágrimas, um sorriso tímido e inseguro surgiu no resto de Marianne.
- Eu sempre quis mesmo ter a sensação de ser o 'conselheiro' de alguém. Ainda mais se for de alguém como você. Acho que estou forçando um pouco a barra, não,é? Mas tá, vamos dizer que no caso, eu vou apenas escutar e escutar.
Marianne chamou Bianca e disse para remarcar os outros pacientes, provalmente essa consulta ia demorar bastante, e ela precisava disso.
- Meus pais sempre quiseram que eu me tornasse escritora também. Lembro-me que desde pequena, eles liam e faziam que eu escrevesse bastante. Tanto que na escola, eu sempre estava a frente das outras crianças em relação a isso. Mas eu nunca tive criatividade o suficiente, nunca soube me expressar. Cada vez que os professores passavam redações e principalmente quando eram concursos, meus pais quase ficavam loucos, diziam " Você tem que se esforçar, só vive pra isso. Será que é tão difícil sentar e escrever alguma coisa? Pelo amor de Deus". O pior é que eu não tinha o apoio de nenhum dos dois. Ambos eram rígidos. Aí de mim se falasse alguma coisa errada, mesmo que de brincadeira lá em casa. Sofri muito por causa disso.
Depois que terminei o colégio, eles já vinham se preparando para conseguir contatos com editoras, livrarias e pronto, de um jeito ou de outro, eu seria A escritora, como os dois eram. Aí eu cheguei em casa e disse que tinha passado em Psicologia. Meu pai quase enfartou, minha mãe começou a gritar comigo, a chorar e dizer que aquele era o maior desgosto da vida dela. Foi uma época tensa, logo arranjei um emprego como funcionária em uma livraria e consegui alugar um apartamento. Estudei mais para mostrar pra eles que podia ser boa em alguma coisa, mas mesmo com todo esse reconhecimento, eles nem me citam mais como filha direito.
Gustavo não estava acreditando no que estava ouvindo. Pensou que tinha chegado ali com o maior problema do mundo e quando começou a escutar a história da sua médica, logo viu que aquela vírgula desprezível nem era tão importante assim. Pior, nunca ia imaginar que uma mulher tão inteligente, tão competente ia ter uma vida tão desgraçada assim.
- Olha, Marianne, eu realmente não sei o que falar. Lá em casa todos sempre quiseram que eu fosse alguma coisa que preste, inclusive um médico ou advogado. Mas eu disse que não e que ia ser escritor. Apesar dos contras, ainda falam comigo. Nnunca pensei mesmo que logo você ia ter algo tão duro assim na vida.
Marianne nunca tinha feito isso antes, mas levantou e deu um abraço apertado em Gustavo, disse que ele estava curado, ou que possívelmente não ia enloquecer por causa de uma vírgula.
- Aliás, Gustavo, qual é a frase?
- Sabe que eu esqueci?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Eu, um livro e Clarice Lispector





Sinto-me estranhamente bem. Não sei por onde começar, também não sinto vontade de me explicar, mas sempre o faço, talvez como uma tentativa de me entender.
Caio todos os dias na mesma e maldita rotina. Normal. Sinto-me mais alegre por ter conseguido passar o dia muito bem acompanhada de um livro. De um ótimo livro, aliás.
Preciso também declarar algo sobre este livro, ou melhor, sobre a Escritora: Ainda não consegui achar escritora tão rara, única, impulsiva, triste, angustiante e ao mesmo tempo bonita, absurdamente maravilhosa, não escritora, mas sim como a própria diz 'sentidora' como Clarice Lispector. Sinto-me estranhamente feliz e feita por ter como companhia um livro seu.Mas, vamos voltar a mim. Ao meu dia.
Não é fácil tentar explicar o que penso, o que sinto, o que tento expressar da forma mais sutil e crua, através da palavra escrita, quase nunca dita.
Não sei ao certo se posso ser chamada de 'escritora', talvez seja um cargo muito alto para mim. Mas também não ao certo se posso ser chamada de 'sentidora', mesmo me identificando muito com isso. Talvez eu seja uma montanha-russa de emoções, pensamentos, sentimentos, momentos e acontecimentos. Tenho a necessidade de registrar, de vomitar da forma que me parece mais certa, mais fácil e gostosa: Escrevendo.
Estou MUITO longe de poder me comparar a qualquer nome da literatura, seja ela brasileira, estrangeira ou amadora. Também não preciso disso, não aprecio até. Mas vou confessar uma coisa e ao mesmo tempo, acabo voltando a falar não totalmente de mim, mas de mim e de Clarice: De tanto ler e tentar entrar discretamente nas suas obras, na sua escrita, na sua possível mania de ser,acabo sempre vendo rastros de sua literatura na minha pobre, iniciante e bagunçada literatura. Gosto disso. Gosto de poder me formar e trazer migalhas de alguém tão brilhante e SEU.
Confesso que vim com o objetivo de escrever no máximo quatro linhas ou menos. Mais uma vez fui tomada não só por um impulso, mas pela eloquência de tentar me explicar com detalhes, mesmo não gostando muito deles.

A ditadura da beleza.





Estamos cada mais presos a tendências e padrões de beleza. Parece que ser feio é bonito e ser bonito é brega.
Há alguns anos, era cada vez mais notável o número de esqueletos em desfiles de moda. O que leva uma pessoa a ficar em um estado de desnutrição e aparentemente frágil? Como psicóloga e escritora, procuro ler e entender todos os motivos que possam explicar tal comportamento. Só não acho justo a mídia dar tanta ênfase, a ponto de influenciar pessoas que não tem nada a ver com isso. Quer dizer que para a menina ser bonita, ela tem que pesar 30 kg, mesmo medindo 1,70 cm? Não concordo.
A ditadura da beleza já foi mais justa. Antes era muito mais apreciado o sorriso, o jeito de andar, a postura. Hoje apreciamos pessoas fabricadas. Quanto mais peitos a mulher tiver, mas valorizada será. Quando mais bunda a mulher tiver, mais será cobiçada. Ninguém mais se importa com o que a pessoa gosta de fazer, se gosta de ler ou se gosta das mesmas coisas. Torna-se cada vez mais comum casar-se com um completo estranho. O bom é ter uma companhia bonita e que desperte comentários e inveja, certo? Não. Não acho certo.
Por que deveríamos nos apaixonar pelo corpo e ignorar o caráter ou a falta dele? Ninguém é cem por cento bonito e nem cem por cento feio. Da mesma forma que ninguém é cem por cento bom ou cem por cento ruim. Temos que nos adaptar as mudanças, principalmente quando vamos ficando mais velhos. Hoje, ser velho é sinônimo de depressão e falta de saúde. Vejo pessoas com 60 anos, que desejam ter 20 e por isso se submetem a cirurgias que os transformam em verdadeiros monstros de filme de terror antigo.
O conceito de beleza tem se transformado em um verdadeiro circo de horror e quem não se encaixa nisso, acaba ficando sozinho com toda a sua inteligência, intelectualidade e valores. Uma pena.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Contar ou não?

Ainda não tive coragem de falar sobre isso. Talvez eu tenha medo de sentir tudo de novo. Acontece que ta sendo difícil ignorar essa montanha-russa de sentimentos dentro de mim. Às vezes balança tanto e faz tanto barulho, que fico enjoada.
Ainda não falei de você para ninguém. Talvez deva ser apenas uma coisa minha, mesmo. O problema é que tenho vontade de contar para o mundo, mas nem posso. O que trago no coração é para poucos. Se eu deixar que qualquer um entre, daqui a pouco estará lotado . Não contei, também, porque eu sei que as pessoas vão ficar dando palpites e falando coisas que não quero ouvir. Eu só quero poder fechar os olhos e viajar nesse paradoxo de vontade.
Quero poder pensar na casa arrumada, nos domingos acompanhados de muitos filmes, chocolate e pipoca. Poder pensar nas conversas jogadas fora e em todas as besteiras que irei falar. Gosto de pensar nas brigas e naquela vontade absurda de mandar o outro calar a boca e ir embora, mas com muitas lágrimas e voz trêmula, correr, abraçar apertadinho e pedir para ficar.
Poderíamos pensar na preguiça gostosa que é viver olhando para o céu, ficar o dia de pijama e colocar um bom cd para ouvir. Nada melhor do que boa companhia, café e chuva.
Não sei, tenho receio de querer demais de todos, sabe? Tudo deveria ser muito simples. Branco é branco, preto é preto, eu sou eu, você é você e nós somos tudo. Acontece que sempre damos um jeito de complicar. É quase engraçado quando um ai soa como uma frase de ofensa. 
Gosto de quando está frio, encostar os pés gelados em outros pés gelados e ficar esfregando a procura de um pouco de calor. Gosto de poder escrever frases soltas e depois montar um texto, como se fosse um quebra-cabeça. Gosto de você.
Esse negócio de contar ou não contar já está sendo um problema. Ninguém pode querer desmentir aquela expressão de paixão e jeito abestalhado. Vou dizer o que? Mais fácil falar, mas nem posso, porque eu nem mesmo sei se você existe. Para mim, existe. É a tal da pessoa ideal.
Vamos logo juntar nossas coisinhas, deitar e assistir a um filme romântico-dramático-cômico, que é a vida que vivemos. Mas não vamos ficar nervosos, ta bom? Trouxe duas xícaras de café, música ultrapassada e um pedaço de bolo de cenoura, para salvar. 

Os tipos de amor.

Certa vez, fui questionada sobre os tipos de amor e qual era o mais bonito. Fiquei com cara de caneca e não consegui responder nada. Para mim, todos os amores são os mais bonitos, mesmo com suas falhas, paranoias e abandono.
Como dizer que o amor que sinto pela minha mãe é mais bonito que o que sinto pelo o meu pai? Como dizer ou medir o amor que sinto pelo namorado atual e o que senti pelo ex? Complicado. Ninguém quer dar o braço a torcer e dizer que ama mais o namorado passado do que o atual. Todo mundo quer amar tudo a toda hora, inclusive a pessoa que acorda do seu lado e que te da um beijo de boa noite antes de dormir.
Acho que o amor mais bonito é aquele fiel, honesto, sincero, companheiro e não tão sério. Pessoas sérias demais são amargas e ninguém quer isso, também.
Acho bonito o homem que abre a porta do carro para a mulher. O filho que chama a mãe de "senhora" e que a trata como rainha. Acho bonito a mulher que mesmo depois de 20 anos de casamento, ainda se arruma para o marido e faz questão de comemorar o aniversário de namoro, com direito a presentinhos e um jantar atrapalhado, mas feito com carinho.
Acho lindo encontrar um casal de idosos tomando café. Acho divino o homem que sai de uma reunião e liga para a mulher, para perguntar se está tudo bem e dizer que a ama.
Fico maravilhada com a mãe que é melhor amiga dos filhos, mas que sabe impor limites. Acho impressionante o pai que sabe ser delicado e parceiro e não durão e arrogante.
O amor mais bonito é aquele que nos faz bem e que vale a pena. Sem mais.

Homens x Mulheres

Afinal, o que homens e mulheres querem? Essa pergunta já está dando nó na minha cabeça. Antigamente (como se eu fosse idosa) era mais fácil de responder a pergunta. Diríamos: homens querem sexo e mulheres querem amor, companhia, compreensão, lealdade, casa e família. Não sei se essa resposta cabe a pergunta hoje.
Sou do tipo feminista, mas não está dando para defender com unhas e dentes o meu gênero, afinal, mulheres tem se comportando como homens (aquele tipo que não vale muita coisa, porque existem homens e HOMENS). Mulheres não se respeitam mais e não exigem respeito, também.
Parece que homens querem sexo e mulheres querem mais sexo, ainda. Como se tivesse acontecido uma revolta e elas decidiram: chega, agora vou jogar na mesma moeda. Aliás, às vezes tenho a impressão de que os homens estão querendo compreensão, carinho, casa e família e as mulheres estão querendo sexo, bebida e muita farra. Não sou contra nada disso, mas mulheres, vocês tem me envergonhado um pouco.
Ser o sexo forte não é sinônimo de comportamentos fúteis e vergonhosos. Ser do sexo forte é construir uma boa carreira, ter caráter, saber se virar, ser independente, ter postura e tudo mais. Ser do sexo forte é não se submeter às ordens e machismo da sociedade e dos seus maridos. Ser do sexo forte é deixar claro em casa que você lava a louça e ele, também. Você arruma a casa e ele, também. Você não precisa ficar sendo empregada de ninguém, mas ser esposa e companheira.
Mulheres não estão mais esperando o príncipe encantado. GRAÇAS, porque não existe, certo? Se quer algo, vá atrás. Nada melhor que se apaixonar pelo cara errado e transforma-lo no cara certo.
A indústria tem feito do sexo feminino produto de desejo e só. Não escutamos mais notícias de feitos estupendos vindo de mulheres, mas conhecemos todas as mulheres frutas e vegetais.
Homens, o que vocês querem? Vocês querem um trofeu ou um amor? Ora vocês criticam esse comportamento, ora vocês apóiam. A dúvida é tão grande assim? Acho que está na hora de decidirmos, por favor. Antes que as mulheres pães, uvas e coxinhas resolvam procurar homens pastéis e churrascos.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Não quero perder tempo





Quando essa coisa estranha começa a chegar, procuro te enviar cartas em branco, mas com muitas coisas escritas e borradas. Quando a angústia começa a querer me vencer, fecho os olhos e viajo em todas as lembranças de dias bons e sorrisos sinceros. Tem horas que canso e quero te mandar embora, mas antes de ir, parece que o seu rosto fica trinta vezes mais bonito e que você acabou de sair de um estado de graça. Acabo desistindo dos gritos, de te mandar embora e de me deprimir com muito sorvete, filmes tristes e músicas suicidas.
Rasgo todas as cartas em branco. Bagunço a cama e coloco duas xícaras de café em cima da mesa para alimentar o nosso vício e essa coisa estranha que chamamos de amor. Penso que foi só uma crise e que mais tarde estaremos conversando sobre a novela e percebendo que poderíamos ser mais intelectuais ou espertos. Você me abraça. Você promete não brigar e aceitamos que só foi uma briga besta, intensa, interna e cansativa. Acho que vamos dormir por algumas horas e no outro dia tudo já estará bem.
Eu não quero mais perder as minhas coisas. Eu não quero mais perder tempo, sabe? Vamos brigar mais um pouco. Vamos chorar mais um pouco. Vamos brindar muito. Vamos transformar qualquer coisa em festa e pronto. Vou levantar e passar o dia escrevendo. Você vai levantar e passar o dia fazendo qualquer coisa.  Vamos arrumar o quarto, por favor. Não aguento essas coisas jogadas no chão e você não aguenta papéis e frases soltas por aí, perdidas e esquecidas. Você quer que eu escreva. Eu quero que você seja feliz.
 Falta quanto tempo agora? Não quero mais perder tempo. Não quero perder fotografias. Não quero mais perder o sono, também. São três horas da madrugada e todas essas coisas me fazem perder tempo. Já considerei tudo que deveria e agora vou dormir. Vê se não demora para desligar as luzes, por favor.

Um pouco bipolar





Que vontade de chorar, essa. Vontade de querer jogar as formalidades e sair gritando feito louca. Talvez seja uma fase de insanidade gratuita (ou não). Chuva costuma me deixar mais feliz. Café, também. Mas hoje sinto-me tão vazia, que por mais que o mundo passe a ser melhor, não sentirei nada. Estou oca. Ao mesmo tempo estou intensamente feliz. Sinto vontade de abraçar estranhos e sorrir para os animais. Sou como um belo fim de tarde, com um pôr do sol perfeito e calmo.
Começo a achar que sou o extremo de cada coisa. Mais um pouco e vou ser todas as pessoas em um corpo só. Sou homem, mulher, mãe, filha, orfã. Sou orfã de coisas pequenas. Não me importo tanto com coisas grandiosas. Deixe comigo um bom livro e algum café que já serei feliz.
O dia está passando muito devagar. Eu procuro correr para ter a impressão de que logo tudo terminará. Continuo sentada em uma cadeira de escritório, fazendo coisas que não são muito empolgantes e pedindo para ir pra casa logo. Preciso sair dessa loucura que é a responsabilidade e uma vida quase adulta.
Poderia pegar minhas coisinhas e viajar por aí. Conhecer novas pessoas. Sentir raiva e fazer amizade com gente diferente de mim. Visitar lugares calmos e outros mais movimentados. Poderia ir à Itália engordar com as massas e me encantar com o romantismo da cidade. Poderia ir à India experimentar uma religião diferente. Viver em um mundo diferente. Mas ainda assim, poderia ficar aqui sentada, esperando as horas passarem e depois voltar para casa e ligar a tv.
Poderia pedir comida japonesa ou fazer um sanduiche qualquer. Poderia ligar para um amigo ou deitar e dormir.
Sou tão instável que chega a dar medo. Em alguns momentos minha rotina e vida são verdadeiras interrogações. Se tivesse toda essa liberdade e coragem, teria conhecido todos os cantos desse planeta. Todos os Deuses. Todas as comidas. Teria gritado, chorado, xingado e morrido.
Se eu tivesse toda essa liberdade... Talvez fosse outra pessoa.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Amor ao café.




Tenho milhões de notas mentais, mas antes que eu esqueça, uma preciso escrever em algum lugar: PRECISO DEIXAR DE TOMAR CAFÉ. Pensem comigo: passei a vida tomando café. Café me deixa alegre, calma, triste, com sono, sem sono e me faz escrever bem. Quando chove, tomo café. Quando estou cansada, tomo café. Quando estou com fome, tomo café. Quando estou sem fome, tomo café. Quando estou irritada, tomo café. Quando estou quase dormindo, tomo café. Quando quero dormir rapidamente, tomo café. Como diabos vou conseguir abrir mão do café agora? Tenho duas opções: aguentar as consequências do café para o meu corpo ou mudar de vida e parar de tomar café. Até parece droga. A repetição da palavra café é proposital.
CAFÉ. CAFÉ. CAFÉ. CAFÉ.
Pensando por esse lado, é assim que nos sentimos em relação ao amor, não é?
Você ama demasiadamente uma pessoa, mas a relação já está desgastada. Parece que o certo é acabar com tudo e cada um ir para o seu canto, mas não é tão simples assim. 
Tem dias que você não quer nem papo, mas se ela não mandar mensagem ou ligar, ao menos para te irritar, já é o suficiente para você se sentir desamado e esquecido. Tem horas que é impossível uma conversa, mas você teima em querer falar com o bendito. Isso não é nem dependência, sabe? É que você tem medo que se deixar pra lá, tudo vai acabar e escapar de você. Afinal, se você está alegre, é por essa pessoa. Se você está triste, é por essa pessoa. Se você está com raiva, é por causa dessa pessoa. Se você está com saudade, é dessa pessoa. Se você está carente, quer essa pessoa. As pessoas são formas de vícios, também.
Para mim, o café é uma pessoa e por mais que me faça mal, não abro mão. Nosso relacionamento ainda vai longe. 



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Conversa com um motorista de ônibus




Resolvi que como escritora deveria experimentar coisas novas, arriscar mais.
Saí de casa umas 5:00 da manhã, peguei o primeiro ônibus que passou e disse ao motorista que queria ir até o fim e ficar na última parada.
- Mas lá é perigoso, Dona.
Primeio que Dona fez com que eu me sentisse com uns 10 anos a mais e eu queria mesmo um pouco de perigo. A minha vida estava monótona demais.
- É lá mesmo que eu quero ficar.
O ônibus estava praticamente vazio, eu estava sentada perto do motorista, então ele decidiu matar um pouco a curiosidade.
- Olha, Dona, você não tem cara de que trabalha pra lá, ou tem algum conhecido que mora lá.
- Você está certo.
- Então por que a senhora que ir para um lugar que tantas pessoas evitam?
- Estou procurando um pouco de adrenalina hoje.
- Não seria mais fácil a senhora saltar de para-quedas?
É verdade, seria mil vezes mais fácil e eu não correria tanto risco de vida.
- É que eu tenho medo de altura.
- E não tem medo de morrer, não?
- Como assim?
- Olha, Dona, eu não gosta de fazer essa rota várias vezes ao dia. Quer dizer, tem algumas pessoas legais, honestas, mas lá é um bairro perigoso. Toda vez que chego perto já vou rezando e pensando como vai ser se resolverem entrar no ônibus, assaltar ou colocar fogo, sabe?
- Então por que o senhor faz isso todos os dias?
- Porque eu tenho mulher e dois filhos para criar. Já tentei muitas vezes mudar minha rota, mas como a senhora já deve ter percebido, não consegui.
Confessor que naquele momento comecei a pensar onde é que eu estava com a cabeça quando decidi levantar de madrugada, me arrumar e ir visitar o bairro mais perigoso da cidade. Se eu estava querendo morrer, era mais fácil eu ter ido saltar de para-queda sem para-queda.
- O senhor nunca procurou outro trabalho?
- Já, mas quem vai querer contratar um homem que mal sabe escrever o próprio nome?
- Como você se tornou motorista de ônibus?
- Olha, Dona, ser motorista de ônibus não é muito difícil. Ora, até mesmo um cara como eu sou. Pra ver, eu só tive que mostrar para eles que dirijo bem, sei compreender todas as placas e tenho coragem o suficiente para fazer essa mesma rota todos os dias. Não estou reclamando, não. Sabe, ser motorista de ônibus não é tão duro, sempre tem algum passageiro que nos trata com humanidade, são divertidos e interessantes. Mas nunca caimos na rotina, sabe?
- Sei... desculpe-me, qual é o seu nome?
- Rogério, Dona.
Eu não estava mais me importando com o Dona, talvez eu tivesse mesmo uns 10 anos a mais.
- Pois é, seu Rogério, acho que foi o cansaço da rotina que me fez acordar tão cedo, entrar aqui e desejar ir para esse lugar. Nessas horas, eu penso " Feliz mesmo é o motorista de ônibus."
- É, Dona, cair na rotina é pra matar, não? Pelo jeito, desculpa se eu tiver errado, mas a senhora tem maior cara de escritora.
- Como você sabe?
- Olha, o mundo tá cheio de vocês. Quase todos os dias entra um aqui. Tem os que fazem questão de parecer que são escritores, se duvidar até deixam alguns cartões com a gente, como se realmente fossemos ler algum de seus livros. Quer dizer, não é por nada não, mas a maioria aqui só quer saber é da novela mesmo e olhe lá. E tem aqueles que são super discretos, mas que sempre dão pinta de escritores ou uma tentativa disso. Depois de um tempo você aprende a identificar cada tipo de pessoa, sabe?. Se torna uma distração.
- E eu sou qual tipo de escritora?
- Do tipo louca.
Rimos juntos. Mas aquela brincadeira me tocou um pouco, fiquei pensando o que realmente ele quis dizer com isso.
- A senhora não me entregou nenhum cartão, em nenhum momento falou sobre a sua profissão e também nem me parece do tipo insegura. Além do mais, ainda teve a coragem de ficar escutando um motorista de ônibus que mal sabe escrever o próprio nome.
- E qual o problema com isso?
- Não é por nada, não. Mas vocês são bastante ligados a um português certo, toda aquela coisa de livro, palavras difíceis. Daí eu tiro a conclusão de porque de tantos escritores que passam por aqui, apenas você parou para conversar comigo.
Por um lado ele tinha razão, mas sabe, eu admiro bastante as pessoas. O Rogério era bastante inteligente, mesmo sem saber escrever direito, a vida já havia lhe ensinado bastante,e isso talvez nenhum livro pode nos oferecer com tanta clareza.
- Bom, Dona, chegamos no último ponto de ônibus. Cuidado, não vá encontrar adrenalina demais.
- Quer saber, conseguir sair da monotonia com essa conversa que tivemos. Aliás, eu tenho que explicar para você um pouco sobre essa coisa louca de ser escritor.
- Quer dizer que a senhora não vai ficar?
- Você ainda aguenta conversar com uma escritora?
- Sempre é bom uma boa companhia, ainda mais de alguém tão... como é que diz? acho que a palavra é intelectual.
- E só por curiosidade. Aonde o senhor mora?
- Ah, Dona, nesse bairro aqui, infelizmente. Mas aí é outra história.
- Então pode ir me contando que o caminho é longo.

Carta a um amor.




Madrugada fria, silenciosa e a minha maldita insônia me fazendo companhia. Escrever uma carta parece ser salvação para a alma.
Hoje o dia foi pau, amor. Quase tive um princípio de loucura. Tudo bem que sou louca, mas hoje quase me transformei em casa de internação. A normalidade é chata demais para mim. Nunca fiz questão de ser normal. Mas às vezes sinto o peso da minha pouca diferença. Ainda vai querer ficar ao meu lado mesmo assim?
Parece que estamos em planos diferentes. Você envia algumas palavras da terra e eu tento me comunicar desse mundo torto que sou eu. Não sei como funciona o serviço de correspondência. Feche os olhos um pouco, talvez entenda todas as palavras na sua mais pura essência.
Agora começou a chover. Fazia um bom tempo que não parava para olhar a chuva, logo eu que gosto tanto dela. Tenho medo de deixar as minhas coisinhas de lado. Tenho medo de deixar você de lado, também. Tenho medo de deixar a vida de lado. Esses dias estão se arrastando. Estão começando a arrancar a minha pele. Ajude-me, por favor.
Queria entender essa loucura que é viver. Queria entender você. Não sei como dizer adeus. Não sei se tenho coragem. Mas parece que é preciso. Estamos nos machucando cada vez mais e tanto amor tem se perdido em meio a brigas e lágrimas. Amo-te a ponto de doer. Tenho medo a ponto de querer te agarrar e não soltar, para que você não vá embora. Sabe quando te abraço bem forte, quase a ponto de te sufocar? Faço isso pelo simples fato de querer te sentir cada vez mais perto. Sabe quando não falo nada e só olho pra você? Faço isso pelo simples fato de querer admirar a sua beleza e de querer me encantar cada vez mais. Sabe quando brigamos e eu acabo demonstrando estupidez? Faço isso porque sinto insegurança, medo e não quero ter que aprender a viver sem você ao meu lado. Tenho tantos defeitos, amor, mas amo-te tanto, também. O que fazer agora?.
Sabe, insistir parece ser uma boa ideia. Mas até que ponto? Até que ponto devemos insistir se só nos machucamos. Quero recuperar o amor, os carinhos, as brincadeiras. Amor, amor, não sei mais nem quais palavras usar. Já te falei todas. Já citei poemas, músicas, besteirinhas. Desculpe-me a minha eloquência, insegurança, medo e a forma quase errada de amar. Diga-me o que fazer, então. Diga-me se devo ou não continuar a amar.

Saudade.





Saudade é pau. Nos deixa atordoados. Nos traz um desespero quase incrontrolável, daqueles que se mata ou quer morrer. É tão urgente quanto a vida. Tão urgente quanto nós mesmos e a nossa pressa de querer tudo a toda hora. Querer tudo do jeito que achamos que é certo. De um jeito que possa nos fazer feliz.
Saudade aperta e vai tirando o ar aos poucos. Tira o ar até daqueles que raramente a sentem. É ilimitada, não diz quando vai acabar. Nos empurra de um penhasco. Ou você aprende a voar, ou dá de cara no chão.
Saudade nos faz sorrir também. Traz a leveza de um sorriso. A alegria de um momento, de uma pessoa, de uma época. Fala-se de saudade do mesmo jeito que fala-se de amor, esperança, tristeza. Há quem diga que saudade é o primeiro sintoma de amor. Pode até ser, mas por que? Talvez porque queremos a presença quase sempre. Porque somos carentes profissionais e precisamos de carinho e um pouco de amor, pra sair dessa rotina de sentimentos que é a vida de hoje. Queremos a perfeição de uma hora. A possível formação de um sentimento. Queremos que o mundo caiba nas nossas mãos pelo menos uma vez na vida. Queremos ser a vida. Simplesmente queremos ser a origem do mundo.
Sentir saudade é digno. Sinto um pouco de pena de quem não a sente. Ou que até sente, mas não da forma normal. Nada mais é normal. Ninguém mais é normal, mas tem mania de querer ser. O diferente atraí do mesmo jeito que nos leva pra longe.
Inventamos um amor porque sentimos falta de amar. Inventamos um amigo imaginário porque sentimos falta de amizade verdadeira. Fantasiamos muitas vidas pra fugir da realidade. No fundo tudo se trata de sentir saudade de quem você foi um dia. A falta de uma pessoa e da felicidade que parecia ter encontrado.
Saudade é fria, quente, agressiva, delicada. Nos arrebata a ponto de ficarmos jogados na cama durante horas ouvindo música. Pensando. Pensando. E nada de o sono vir. E nada das horas passarem. E nada de ela nos deixar em paz. Saudade demais é tortura da mais pura e cruel. Quem já foi vítima de saudade, sabe. O mais engraçado é que apesar de tudo isso, somos viciados em senti-la. É uma das drogas mais comuns e necessárias em uma vida.

" Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida"- Clarice Lispecor.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Romance(sem fantasias e imaginação beirando a loucura)







Traga-me um copo de bebida. Estou quase desistindo de você e voltando para os meus vícios destrutíveis e hipócritas.
Traga-me um cigarro bom ou vagabundo, tanto faz. Mas não esqueça do esqueiro. Não quero fumar o nada.
De nada já basta o que sinto no momento.
Sente-se ao meu lado e vamos nos olhar por algumas horas. Silêncio. Não temos nada para falar. Você não tem o que falar. Só fica calado e desviando o olhar. Eu que costumava ser assim. Agora tento olhar nos seus olhos e sinto que não quer o mesmo. Insisto. Sou chata pra ..., mesmo.
Não bebo e nem fumo, mas por que pedi para você trazer bebidas e cigarros?
Também não quero viver a minha vida sem você, mas por que estou quase desistindo?
Não aceito que outros destruam o que temos. Não aceito que uma mentira destrua quem você é.
Não aceito que você seja assim... Não posso fazer nada. Aliás, posso reclamar, chorar, te odiar e voltar a te amar com mais intensidade.
Por favor, sente-se aqui e vamos nos matar juntos. Você com alguns copos de bebidas e eu com algumas muitas carteiras de cigarros. Vamos experimentar a destruição de nós mesmos.
Coloque uma música, por favor. Coloque Amy Winehouse. Ela combina com esse cenário quase romântico, quase triste, quase morto.
Vomite logo as coisas em cima de mim. Não as bebidas, mas as verdades... Não minta, por favor. Não há nada pior que uma mentira. Sente-se aqui e fale tudo de uma vez por todas, ora porra.
Comece a chorar, a gritar, a me mandar para ..., mas não fique parado e com a cabeça baixa.
Pague a conta e vamos andar por essas ruas vazias. Começa chover agora. Esqueça se seu cabelo vai ficar bagunçado. Esqueça se sua blusa ficará molhada. Pare de se importar um pouco com essas coisas e tire os sapatos. Pise no asfalto. Permita-se ser um mendigo com fome de carência. Eu me permiti ser um lixo cheio de carne podre. Urubus estão perto de mim. Logo ficarei limpa, e você?
Traga-me uma toalha e roupas limpas. Agora vamos deitar, nos abraçar e dormir por algumas horas. Amanhã tudo isso será passado. Só restarão as roupas molhadas, os pés machucados e a ressaca e falta de ar.
Vamos mandar todos ... e vamos ser felizes, por favor. Você com a verdade sempre em suas mãos (ao menos é o que pensa) e eu com a minha instabilidade e estupidez.
Vamos encarar os fatos: nos amamos e temos que ficar juntos para sempre.