sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Bagunça


Às vezes comparo a nossa bagunça emocional e mental com um quarto bem desarrumado, daqueles que ao entrarmos sentimos desconforto, mas mesmo assim não temos coragem de sentar e arrumar. É mais fácil deixar ali e se acostumar com as coisas fora do lugar, algumas estragadas, outras bem posicionadas. Mas aí chega aquele dia  inevitável, o de arrumar o quarto, separar os papéis velhos, lixos que ficaram acumulados embaixo da cama, juntar algumas roupas que ficaram jogadas num canto qualquer.  
Ao entrar no quarto você já vai querendo desistir, pensando que poderia fazer alguma coisa melhor, e pior, percebe que vai levar horas para arrumar e provavelmente alguns minutos para bagunçar tudo de novo. "Tudo bem" você pensa, coloca música pra ver se ajuda, começa a cantar junto e quando se toca, já está dançando com a vassoura. Até que não está sendo tão ruim assim, duro mesmo vai ser na hora de separar os papéis, principalmente quando você pensa que tudo tem valor e que vai precisar um dia. Difícil, mas necessário.
Assim é o dia que você para e senta pra pensar na vida, nos acasos, amores, brigas, problemas que por menores que sejam estão  te tirando o sono. Você logo quer deixar pra lá, procura fazer qualquer coisa para não pensar, liga para alguns amigos, aluga alguns filmes. Mas é tão inevitável como o dia de arrumar o quarto, até porque essas coisas estão te levando a loucura, e você tem que se livrar LOGO.
Novamente coloca algumas músicas que ajudem a pensar, procura achar respostas de forma aleatória e menos dolorosa. Depois de um tempo não começa a dançar com a vassoura, mas consegue rir de alguns problemas. Parabéns, você deu um passo e tanto.
Fica o dia pensando, se machucando, sentindo saudades. Você se torna uma verdadeira montanha russa de emoções e sabe, que para tudo desandar de novo, basta uma palavra, um gesto, um olhar mais duro. Ninguém disse que seria justo. Ninguém nunca disse que seria fácil. Quase nunca ninguém quer admitir que é necessário, mas em uma coisa todos concordam: encarar as dores, a vida e provavelmente assuntos que você nem quer acreditar que sejam verdadeiros, é difícil e a maioria não o faz para poupar sofrimento. 

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