domingo, 30 de março de 2014

Enxergar-se no mundo



Todas essas fragmentadas informações que batem, voltam e penetram nas retinas dos meus olhos, formando imagens poéticas que, de repente, passam de forma ignorada, porque em meio a tanto caos e pressa, ninguém presta atenção. Eis que nesse momento, meu irmão, meu amigo, sou como um ex cego, que enxerga o mundo pela primeira vez. 
As tonalidades penetram pelos olhos e as projeções são espremidas pelos poros. Sinto vontade de chorar, mas controlo a emoção do novo para apenas utilizar minha incrível possibilidade de ver para admirar mais um pouco. Essa inebriante visão do mundo é como uma boa música sendo tocada bem baixinha, suave, tentando dançar no inconsciente, no seu ponto de partida, no que realmente é você no mundo. Essência.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Quase sem querer





O amor, a paixão, essa sintonia que tanto almejamos vem quando a gente menos espera. Teima em surgir quando você não está usando a sua melhor roupa ou quando não está no seu melhor estado. Você não espera o amor como espera um ônibus, ou a sua vez em uma fila qualquer. Ele simplesmente tropeça ou esbarra em você. Essa mistura simbiótica de sentimentos que parece ser um vício de carência para o ser humano pode ser resumido a momentos, minutos, segundos intensos de quando você conta uma piada, troca olhares, senta em uma sarjeta em uma estrada, num sábado quente qualquer e joga conversa fora, sobre o mundo, sobre coisas banais ou teorias geniais que se tem da vida.

Uma das maiores ironias da vida é quando você se arruma todo e saí esperando encontrar o amor, a paixão, aquela pulsação toda e volta pra casa sem nada, vazio. Entretanto, quando se está bagunçado, de chinelos trocados e roupa amassada, ele resolve surgir, te deixando sem ter pra onde correr. Você tenta arrumar o cabelo, limpa o rosto com um lenço qualquer e fica esperando algo acontecer, desde um sorriso, um olhar tímido ou a ousadia de quem está lá para ganhar ou perder.