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Mostrando postagens de 2018

Já faz um tempo.

Há um tempo estranho lá fora: fecho os olhos, está chovendo, abro os olhos, o sol fere a retina. Tudo ao mesmo tempo.
Há um tempo brando aqui dentro: fecho os olhos e estou calma, abro os olhos e nada fere minha alma.
Há um tempo que esse estado de graça vem acontecendo, parece até provação divina, um dia após o outro e tudo se acalma novamente.
Há algum tempo já estava esperando por isso. Não conto mais tantos dias ansiosos e ociosos. Conto dias produtivos e ativos. Há um tempo fico cansada a noite e durmo logo. Agora não é tempo de insônia e nem de pés balançando na cama.
Há algum tempo meu coração está tranquilo, sente uma certa alegria e conforto. Não mais a agonia, não mais a apatia. Existe amor e esperança aqui.
Há algum tempo, para ser exata, as coisas estão mudando  e essa metamorfose vem clareando todos os espaços vazios e escuros da minha estrada.
Há um tempo, eu acordo todos os dias e consigo ser grata.

Desligamento do amor

Você pensa, pensa, pensa e chega a conclusão de que deve esquecer alguém, mas seu coração não deixa. Vamos organizar as coisas: o coração tem o papel principal de fazer você gostar de alguém. Toda aquela imagem distorcida (ou não) que você tem da pessoa. Aquelas coisas no estômago, que pode até ser fome, mas que você jura de pé junto que é paixão, que é amor. Depois de um tempo, o coração acalma e você passa a usar melhor a cabeça, o seu juízo perfeito. Começa a pensar que ele nem é tão bonito assim, que faz piadas infames e tem umas manias que te irritam muito. Começa a ver que nem tudo era como no começo e quando começa a sentir coisas no estômago, é tudo, menos amor. Precisa esquecer. Sério! Mas aí percebe que por mais que você odeie o fato de ele não arrumar a cama. Por mais que odeie o fato de ele ser um implicante de marca maior, foi a pessoa que fez você se apaixonar e perder a razão por alguns segundos. Culpa o coração sem pensar duas vezes. Vamos ser razoáveis, ele já fez a p…

Estagnação

Tô começando a achar que o tempo não é mais o mesmo. As pessoas, aquelas que conheço há tantos anos, não são mais as mesmas. Não sou mais a mesma.
Fico sentada nessa cadeira desconfortável, com um máquina de escrever no colo e esperando alguma coisa acontecer. Já foi o tempo que eu fazia acontecer. Agora só espero. Parece que algo está errado, mas não. Entendi que não posso forçar nada e que para sair alguma coisa, talvez eu fique sentada aqui o dia todo.
Estou vendo as coisas mais de perto. Lembro que já fiz terapia. Tenho vontade de voltar, mas tenho medo de perder a inspiração. Quero ser entendida, mas ao mesmo tempo acho necessário não ser. Chove todos os dias e ainda não escrevi nada. Chove dentro de mim e não consigo sair do lugar. Estou pegando minhas coisinhas. Juro que vou junta-las e coloca-las no bolso, para que nunca me sinta só, estando aqui ou no Japão.
Estou começando a me afastar das coisas que não me fazem bem. Estou começando a me arriscar pelo o que acredito. Talvez…

Sobre escrever - parte 2

Preciso escrever. O problema é que minhas palavras andam azedas demais. Não me sinto azeda. Estou apenas cansada. Gosto de pontuações. Gosto de um tempo para respirar. Já corri demais. Perdi alguns quilos de tanto que corri para chegar até aqui.
Ando sorrindo bastante. Ando alegre o bastante. Não entendo o motivo de minhas palavras andarem tão azedas. Meu inconsciente deve estar exausto. Pensa tanto. Pensa e não faz nada. Pensa e não escreve. Pensa e não se levanta.
Estou jogada na cama hoje. Feriado chato, gente esquisita. Seria um bom dia para um banho de chuva. Um bom dia para fotografar o pôr do sol.
Aprendi o básico da fotografia. Preciso exercitar. Ainda não consegui fotografar nenhum devaneio.
Ando sentindo saudade. Ando com saudade de terras desconhecidas.
Ando, ando, ando. Corro um pouco e volto a andar.
Escrevo sobre as pessoas. Escrevo sobre mim mesma. Escrevo sobre qualquer coisa que eu achar que valha uma palavra, uma vírgula.
Nunca parei para me importar se tudo isso faz…

Sobre escrever

Escrever, desde que me entendo por gente, sempre foi a minha salvação para tudo. Nunca pensei que seria a minha salvação de mim mesma, mas hoje percebo que sim. Eu escrevo e quem tem coragem de ler, vai por conta própria e auto risco. Talvez seja uma adrenalina gostosa. Talvez seja a mesma adrenalina que sinto quando meus dedos tocam cada letra desse teclado desgastado, e vou formando frases de formas aleatórias, que no fim, fazem todo o sentido.
Escrever é uma espécie de salvação para a alma. Uma espécie de poder especial para qualquer coisa. Eu escrevo e pronto. Está ali: parido, construído, nem sempre lindo, mas meu. Mais um filho. Mais uma cria que jogo para quem tem coragem de me seguir.
Escrever é a personificação de deus ou de um poder superior em minha vida, em minhas veias, em minha mente. Parece que o tempo para. Parece que não escuto mais som algum, a não ser das teclas sendo surradas, e das palavras sendo montadas, uma por uma, fio por fio.
Escrever é procurar compreender, é …

Estado de graça

Voltei ao estado de graça. Voltei a ter aquela sensação de estar em transe por pelo menos uma semana. Fiquei deitada por algumas horas no escuro, olhando pro teto e ouvindo os gritos dos meus sentimentos e pensamentos. Resolvi escrever um pouco. A tinta da máquina está falhando. Estou sem paciência. Não tenho um lápis e nem caneta. Vou recorrer a tecnologia. Ligo o computador, coloco música clássica e começo a vomitar essas palavras que estão travando uma luta épica de espadas e sangue.
Não sei mais nem sobre o que estava falando. Ora escrevo sobre mim, ora escrevo sobre os outros. O meu dilema é ter que falar sobre as pessoas. As pessoas são estanhas e até onde sei, também sou gente, logo sou estranha.
Fechei os olhos e quase adormeci, mas em vez disso, fiquei observando aqueles flashes em minha mente. Senti nostalgia. Senti vontade de voltar alguns anos, experimentar outros sorrisos, mas não me arrependo. Para chegar até aqui, fui feliz e me machuquei, também.
Peguei um livro. Li al…

Insônia feliz

Oscilando de um bocejo a outro, vinha o cansaço por trás dos olhos caídos, olheiras que se penduravam nas horas que não foram dormidas e nem cochiladas.
Enquanto a maioria dorme, quem vive a madrugada encolhido na cama, esparramado entre travesseiros, música, livros ou pensamentos, ganha cerca de mais oito horas para ser quem bem entende. Nessas horas que se arrastam, o silêncio permite ouvir até a respiração nervosa que é saber que no outro dia deverá estar esperto e produtivo, sem queixas, sem se encostar em um canto ou em alguém e dar aquela sonhada rápida, de quem valoriza até aqueles cinco minutos pós almoço que todo mundo gostaria de ter.
O que fazer em uma ou várias noites de insônia? De fato, é possível descobrir, por exemplo, que dentro do quarto existe um relógio que funciona. De fato, você para de arrumar desculpas e começar a por em dia a leitura que vem se arrastando e crescendo a cada semana. Se não isso, resolve até estudar para aquela prova ou aquele seminário que seri…

E esse tal de amor?

Olha, eu não sou de ficar puxando assunto com ninguém, mas gostaria de saber como anda sua vida. Seus olhos estão meio inchados, gostaria de saber se andou chorando e o motivo, sabe? Não que eu vá conseguir te ajudar. Não que eu vá resolver seus problemas, só que às vezes é bom falar. Às vezes é bom perder a postura de feliz e admitir que nem tudo está bem.
Não vou te analisar, até porque ainda nem aprendi a fazer isso direito. Só quero mesmo saber se esse olhar vazio é de tristeza ou de pura distração. Você nem se quer tomou o refrigerante. Nesse tempo que estamos aqui, o gelo já derreteu e o gosto deve ta péssimo. Voltando ao assunto, eu não sou de me meter na vida de ninguém e muito menos faço do tipo que diz que entende, só que não ta entendendo nada. Se eu entender, vou falar. Se eu não entender, vou pedir desculpas e perceber que teria sido melhor não ter tocando no assunto.
Também não gosto de tocar em assuntos. Prefiro que eles venham até mim, mas nesse caso, preciso cutucar por…

Contramão

De quantos pedaços será que somos feitos? Quantos pedaços você acha que eu tenho, para todo o dia vir querendo levar mais um: Eu te amo não diz tudo. Eu não sei nem até que ponto algum "Eu te amo" diz alguma coisa.
Esperei anos por essas palavras, por essa sua cara estranhamente linda de choro, pelas suas mão procurando a minha, por você. Hoje, não espero nada. Hoje, apesar de ainda achar a sua cara de choro estranhamente linda, isso não me comove mais. Não me comove mais o seu cabelo levemente bagunçado. Não me comove mais esse olhar apertado, como se sempre estivesse querendo ver além do que está a sua frente. Não me comove mais os seus abraços perfeitos, as suas mãos geladas e nem o toque da sua pele. Não me comove mais esse sorriso intrigante, as frases impactantes e nem as lembranças de uma época feliz.
Eu te amo não diz tudo e por isso eu parei de dizer. Eu te amo e para não ter que falar, a maior prova de amor que posso me dar agora é te deixar.

Clarice

Algo estava consumindo Clarice. Depois de todo esse tempo, agora acorda frequentemente com uma vontade intensa de apenas ir, correr pelas ruas como aqueles panfletos que pegamos, ignoramos e simplesmente jogamos no ar para a sua própria sorte.

Olhou seu reflexo por horas e não se reconheceu. Os olhos cansados, as olheiras lembrando as noites mal dormidas, todas essas coisas que todo mundo passa, mas ninguém admite e insiste em julgar. Havia dormido mais de oito horas seguidas, o que era um recorde para alguém como ela, mas nunca havia acordado tão cansada, tão indisposta a fazer as mesmas coisas que a colocaram naquela posição. Pensou em escrever, mas não conseguiu. Pensou em muitas coisas, mas permaneceu na cama. Ligou a tv e não quis acreditar. Lá estava ela, sozinha, cansada, olhando para a tv, que a esmurrava com um programa sensacionalista qualquer.

Queria poder se dividir em várias e ir por aí como quem já está transbordando há tempos, em busca de si, até alcançar o estado de gr…