sábado, 6 de abril de 2013

Desviando.

Preferi não entender. Preferi fingir que não tinha escutado. Não sou muito boa com essas coisas. Desviei o olhar, forcei um sorriso e mudei de assunto. Perguntei sobre o tempo, sobre as ruas, sobre a família estranha que estava sentada na mesa ao lado.
Você fingiu que não tinha soltado nada, também. Jogou um papel no chão e se abaixou como desculpa para que não visse o rosto envergonhado e suas mãos trêmulas e suadas. Ficamos naquela situação sem graça, sem palavras. Nada além do vergonha de não conhecer mais o outro. Fazia tanto tempo. Nos levantamos, apertamos a mão e nos despedimos. Soltamos aquela frase célebre "Nos vemos mais tarde", mas sabíamos que isso nunca mais voltaria a acontecer.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Desajustado

Não sou melhor e nem pior do que ninguém. Não sou mais inteligente e nem moderna ou careta demais. Tenho minhas ideias que nem sempre dão certo. Penso de um jeito desconcertado, mas que para mim faz total sentido. Pareço estranha para os outros. Pareço estranha para mim mesma. Não sinto necessidade de agradar, mas agrado. Distribuo sorrisos quando estou a fim. Abraço pessoas quando me sinto carente. Não sou do tipo que vai com todo mundo e muito menos do tipo que aceita todo mundo. Gosto do meu jeito. Gosto de não gostar. Não gosto de gostar. Uso muitas pontuações e acho que tudo está muito corrido. Mal acompanho meu pensamento. Mal acompanho o olhar do outro. 
Não gosto de ficar no meio. Não aprendi a ter meio-termo. Exercito a minha paciência para tentar ser uma pessoa melhor. Penso muito. Penso. Penso. Penso.
Me sinto sufocada com gente que fala demais. Não gosto de gritos e me irrito com olhares invasivos. 
Meus pensamentos não são muito organizados. Nota-se pela minha bagunça na hora de escrever, na hora de falar. Nem sempre falo de forma simples ou complexa. Não sou de ficar ensaiando discursos na frente do espelho. Até tentei, mas como espectadora, achei ridícula minha atuação. Prefiro ser natural. Prefiro ser levemente transparente. Não acredito em quem fala que a vida é um livro aberto. Todo mundo tem segredos. Todo mundo tem capítulos não publicados ou proibidos.
Não sinto necessidade de me comunicar com todo mundo e nem de ter milhões de amigos. Sinto necessidade dos meus cachorros, dos meus livros, da minha máquina e de poucas pessoas.
Gosto de sorrisos tímidos. Gosto de conversas inteligentes, mas me rendo a banalidades, afinal, sou um ser levemente fútil, também.
Tenho minhas dificuldades, mas nem por isso sou caso pra terapia, eu acho.  Gosto de escuro, de sombra. Não faço o tipo de pessoa que gosta de usar roupa de banho e ficar a tarde de domingo torrando numa piscina ou na praia. Pra pra mim, só se for no inicio da amanhã, no final da tarde ou com amigos.
Entendam, sou péssima com nomes e pessoas. Não que eu ignore você pelo shopping ou na rua, acontece que sei que te conheço, mas não lembro de onde e nem o seu nome. Ainda por cima, sou tímida. Melhor deixar assim.
Acho o máximo ir a tarde tomar uma xícara de café e ficar observando as pessoas. Gosto das pessoas dos livros, das pessoas dos filmes, das fotografias e das pessoas reais. Só não gosto que elas fiquem muito perto. Cada um no seu espaço, por favor. 
Gosto do meu quarto, das manchas de café em cima da mesa, da minha máquina quase inutilizada mas que não abro mão por nada.
Tenho meus sonhos, minhas vontades e minhas ideologias. Sou uma vida pulsando em ritmo descompassado. Sou eu em vários tons, vários sons, várias formas. Sou eu em sorrisos, lágrimas e fantasias. Sou eu sendo você, ele, ela e todo mundo. Sou eu sendo. Indo. Ganhando. Perdendo. FIM!