terça-feira, 19 de novembro de 2013

Banho de chuva. Eis um ponto interessante. Fazia tanto tempo que tinha me esquecido o quanto é fácil e barato ser feliz. Gasto tanto com pequenos prazeres, enquanto a natureza me oferece a felicidade da forma mais crua. A agua batendo no rosto, limpando a maquiagem, a alma, o lixo todo. Todos somos cheios de lixo e talvez seja por isso que as cidades estão tao sujas, afinal, o nosso ambiente é o reflexo de quem somos. Como manter um ambiente limpo, se estamos sujos por dentro? Sentir a chuva me faz enxergar melhor. Enxergar de verdade. Sem procurar razões plausíveis. Sem tentar criar ou me apropriar de uma teoria pra tudo. Entendo que o caos em mim seja o ápice e a alma da minha arte ou disso que chamo de arte. Escrever é isso, dominar com palavras ou frases boas o que nos domina, o que nos tira o sono. Pra mim,o estado de graça vem através dessas palavras embaralhadas. Através desse quebra cabeça de palavras que servem pra mim e pra quem está do outro lado. O quanto sou parecida com todo mundos e o quanto todo mundo é aparecido comigo, a ponto de alguém se enxergar no que escrevo? No que muitas vezes nem estou sentindo, mas que leio no outro. Nem sempre escrevo sobre mim. Na verdade, quase sempre escrevo sobre o outro, porque por uma razão estranha, consigo enxergar além do que é permitido pra mim. O silêncio e o observar que pratiquei durante anos serviram e muito bem pra isso? Até que ponto consigo entrar no mundo de alguem apenas com as minhas palavras, da mesma forma que alguns escritores entram e desvendam o meu? Enxergar isso requer paciência, muita chuva, muito café e muito caos. Que o caos sirva ao meu favor!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sobre livros de autoajuda

Livro de autoajuda. Psicólogo pra quê? Amigo pra quê? Alguém pra quê? Você saca um livro que diz tudo o que você precisava para curar aquela agonia, aquela tristeza, aquela mania.
Cada crise, um livro diferente, até que seu quarto todo está tomado de títulos como "Dê um basta na ansiedade" e "Xô, depressão". Depois disso, passa a conversar com as pessoas como se fosse a pessoa mais sadia e mais resolvida do mundo. Vira o dono dos conselhos, o amigo que apaga fogo, troca as peças com defeito dos outros. Você vai para casa com sensação de dever cumprido. Abre a porta, acende a luz e percebe que está sozinho. Não tem um cachorro para latir pra você. Não tem um gato para fazer carinho. Nem mesmo um peixe para ficar te olhando sem piscar. Aí, você senta, olha para os lados e saca um livro de autoajuda, a fim de esquecer a realidade triste daquele lugar. Começa a ler e passa horas a fio naquelas palavras do tipo "Confie em si mesmo e aí saberá como viver melhor e como fazer bem para as pessoas que estão ao seu redor". Nada mais do que a verdade. Nada mais do que as coisas como deveriam ser. Você chora e se dá conta de que não confia tanto assim em si mesmo. Ajuda tanto os outros e quase nunca é ajudado porque parece que nunca precisa de ajuda. Agora está chorando baixinho e não se permite ligar para ninguém, porque afinal, você é o porto seguro, a muralha e pessoas assim, meu bem, não podem balançar.
Como de costume, pega outro livro e começa a ler pseudofrases motivacionais. Nada mais que um conjunto de palavras que fazem você esquecer o motivo de estar chorando. Nada melhor do que ler alguém que te entende. A diferença é que a pessoa que escreveu provavelmente está em uma roda de amigos ou abraçando seus filhos. A diferença é que a pessoa que escreveu provavelmente já se libertou e admitiu fraquezas. Aliás, lá pelo meio desses livros, tem sempre um desabafo, sempre uma frase espremida, escondida, onde o escrito assume ter precisado de uma mãozinha.
Faz um favor! Larga esse livro. Larga essa autopiedade. Saca o telefone e liga pra alguém. Saca o telefone e convida alguém para tomar um sorvete. Arruma a casa e chama alguns amigos para jantar, conversar, fofocar! Faz alguma coisa, mas por favor, para de comprar livros de autoajuda.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Devaneio de um futuro bom

Parece que estou entrando em estado de graça. Estou sozinha, no escuro, mas consigo ver perfeitamente você passando pela sala. Sinto, de forma tão intensa, o seu perfume, como se você tivesse acabado de sair do banho. Não sei direito o que é isso. Parece um misto de saudade com um ar de desejo de te ter aqui logo. Deito na cama. Olho para o lado e imagino você ao meu lado, segurando a minha mão e falando coisas bobas, como se não houvesse um amanhã, uma hora para levantar e encarar essa vida. Caio levemente no sono e acordo ouvindo sua voz. Que coisa estranha! Olho para o telefone, mas não estamos na ligação. A verdade é que eu fico vendo você dançando, cantando e me falando coisas sem nexo e percebo que não tem nexo porque não presto atenção. Acontece que eu,no meu estado limite de último romance, quero que você fique aqui. Eu, que não sou de distribuir afetos, quero segurar sua mão hoje, amanhã e para sempre. Eu, que não sei olhar nos olhos, quero me perder nos seus, da mesma forma que me perdi da primeira vez que soltei um "eu te amo", sem querer. Estou vivendo nessa simbiose perigosa que é a gente. Estou vivendo essa essência entre passado e presente. Ao mesmo tempo que lembro de você, eu projeto você. Eu realmente sinto você tocando seu nariz gelado no meu rosto. Realmente vejo você levantando, em pleno domingo, com o cabelo bagunçado e esperando que eu fale alguma coisa. Qualquer coisa. Nem que seja uma irônia matinal, daquelas que ninguém ri e nem chora. Quero te dar apoio, da mesma forma que quero fazer você balançar, para correr e se apoiar em mim de novo. Quero, entender, por fim, porque vejo todas essas coisas, de forma tão clara, mesmo estando no escuro.

sábado, 6 de abril de 2013

Desviando.

Preferi não entender. Preferi fingir que não tinha escutado. Não sou muito boa com essas coisas. Desviei o olhar, forcei um sorriso e mudei de assunto. Perguntei sobre o tempo, sobre as ruas, sobre a família estranha que estava sentada na mesa ao lado.
Você fingiu que não tinha soltado nada, também. Jogou um papel no chão e se abaixou como desculpa para que não visse o rosto envergonhado e suas mãos trêmulas e suadas. Ficamos naquela situação sem graça, sem palavras. Nada além do vergonha de não conhecer mais o outro. Fazia tanto tempo. Nos levantamos, apertamos a mão e nos despedimos. Soltamos aquela frase célebre "Nos vemos mais tarde", mas sabíamos que isso nunca mais voltaria a acontecer.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Desajustado

Não sou melhor e nem pior do que ninguém. Não sou mais inteligente e nem moderna ou careta demais. Tenho minhas ideias que nem sempre dão certo. Penso de um jeito desconcertado, mas que para mim faz total sentido. Pareço estranha para os outros. Pareço estranha para mim mesma. Não sinto necessidade de agradar, mas agrado. Distribuo sorrisos quando estou a fim. Abraço pessoas quando me sinto carente. Não sou do tipo que vai com todo mundo e muito menos do tipo que aceita todo mundo. Gosto do meu jeito. Gosto de não gostar. Não gosto de gostar. Uso muitas pontuações e acho que tudo está muito corrido. Mal acompanho meu pensamento. Mal acompanho o olhar do outro. 
Não gosto de ficar no meio. Não aprendi a ter meio-termo. Exercito a minha paciência para tentar ser uma pessoa melhor. Penso muito. Penso. Penso. Penso.
Me sinto sufocada com gente que fala demais. Não gosto de gritos e me irrito com olhares invasivos. 
Meus pensamentos não são muito organizados. Nota-se pela minha bagunça na hora de escrever, na hora de falar. Nem sempre falo de forma simples ou complexa. Não sou de ficar ensaiando discursos na frente do espelho. Até tentei, mas como espectadora, achei ridícula minha atuação. Prefiro ser natural. Prefiro ser levemente transparente. Não acredito em quem fala que a vida é um livro aberto. Todo mundo tem segredos. Todo mundo tem capítulos não publicados ou proibidos.
Não sinto necessidade de me comunicar com todo mundo e nem de ter milhões de amigos. Sinto necessidade dos meus cachorros, dos meus livros, da minha máquina e de poucas pessoas.
Gosto de sorrisos tímidos. Gosto de conversas inteligentes, mas me rendo a banalidades, afinal, sou um ser levemente fútil, também.
Tenho minhas dificuldades, mas nem por isso sou caso pra terapia, eu acho.  Gosto de escuro, de sombra. Não faço o tipo de pessoa que gosta de usar roupa de banho e ficar a tarde de domingo torrando numa piscina ou na praia. Pra pra mim, só se for no inicio da amanhã, no final da tarde ou com amigos.
Entendam, sou péssima com nomes e pessoas. Não que eu ignore você pelo shopping ou na rua, acontece que sei que te conheço, mas não lembro de onde e nem o seu nome. Ainda por cima, sou tímida. Melhor deixar assim.
Acho o máximo ir a tarde tomar uma xícara de café e ficar observando as pessoas. Gosto das pessoas dos livros, das pessoas dos filmes, das fotografias e das pessoas reais. Só não gosto que elas fiquem muito perto. Cada um no seu espaço, por favor. 
Gosto do meu quarto, das manchas de café em cima da mesa, da minha máquina quase inutilizada mas que não abro mão por nada.
Tenho meus sonhos, minhas vontades e minhas ideologias. Sou uma vida pulsando em ritmo descompassado. Sou eu em vários tons, vários sons, várias formas. Sou eu em sorrisos, lágrimas e fantasias. Sou eu sendo você, ele, ela e todo mundo. Sou eu sendo. Indo. Ganhando. Perdendo. FIM!


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013



Vem aquela vontade de colocar tudo dentro de uma bolsa e sair por aí procurando alguma coisa que me faça explodir de curiosidade. O desconhecido sempre me atraiu. O tédio invade as minhas tardes e noites que passo acordada. Já não produzo como antes e passei a ter férias a partir do momento que não escrevi mais aqui. Acontece que a cabeça nunca está boa para escrever. Acontece que as palavras ficam presas em uma espécie de pote de maionese que limpei para guardá-las. Não sei mais nem quem sou. Só sei que continuo com os mesmos e intensos sentimentos de antes, moro no mesmo apartamento com uma bela vista para uma parede e pretendo ter algum animal de estimação para me acompanhar nos dias de solidão.
Sentei para ler alguma coisa e me peguei com essa necessidade enorme de vomitar palavras. O meu corpo não reage da mesma forma e o vômito não vem. Dentro de mim existem muitas pessoas, mas acho que elas estão com medo de falar.
Saudade é como dia nublado, frio e com ameaça de chuva. Mas saudade também é tempestade que destrói lares e vidas. Começo a entender que tudo realmente tem dois lados e que devo levar em consideração os dois antes de tomar uma decisão.
Começo a sentir um cansaço que está querendo me matar. Não vou sair hoje. Não quero ver pessoas.
Vou fechar a janela, ligar o ar, colocar algum filme e acompanhar a triste caminhada das horas até amanhã.
Tchau

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013


Estranho o dia lá fora, tão vivo e ainda perdido.
As pessoas estão em câmera lenta, quase parando.
A respiração ofegante, por vezes fraca e inútil
Parar de respirar e não viver mais. Esperar o coração parar de bater e morrer, enfim.
O sol anda castigando meus pensamentos.
Olhares vagos, agressivos, tristes.
Hoje tudo está ao contrário. Eu estou pelo avesso. Você está pelo avesso. Somos a contradição do mundo.
Apatia, se vier, será lucro. Indiferença, se não machucar, é piedade. Tenham pena de mim hoje. Ando precisando de carinho.
Um pouco de proteção, talvez. Para consolar a minha criança, a minha fraqueza que teimo em não admitir.
Minhas lágrimas são ácidas, por isso evito tanto chorar.
Mas ainda assim há tanto amor. Logo eu, que não sei amar. Amo ao contrário, a ponto de quase doer.
Logo eu, que de repente, fico pendurada pelos fios da esperança. Não sei amar pela metade. Pra mim é tudo ou nada.
Ando precisando ser mais eloquente, como os loucos. Eles que são felizes. São realizados nas suas loucuras e em mundos paralelos.
Preciso perder a mania de pensar muito. Encontrar quem seja inconsequênte o suficiente para me acompanhar. Você me acompanha? Lançaremos os dados e o que vier com certeza é lucro. Mesmo com a aparência séria e sentimentos tristes, sou feliz. Até mais  que muita gente. É que às vezes acho que realmente sei com ser. Com as minhas migalhas, meus poucos amigos. Sou alegre com a minha definição de amor. Sim, eu sei amar.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Viva, se der.




Você quer fazer tudo ao mesmo tempo e percebe que não faz nada direito. Tudo fica pela metade, mal feito e sem graça. Para um pouco! Sério! Vai na valsa. Senta e observa. Olha ao seu redor. Presta atenção nas pessoas. Já pensou em quantos sorrisos deixou passar por estar com pressa? Já pensou em quantas coisas perdeu por não conseguir se focar em uma? A vida é curta, mas nem tão curta assim. Da para ficar um dia sem fazer nada. Da para ler um livro. Da para escutar um amigo, um desconhecido, você mesmo.
Nascer não é tão simples como pensamentos. Existir é uma complexidade rara e você foi contemplado. Por que não aproveitar? Por que não se lançar na vida de forma menos dolorosa?
Distribua um sorriso por dia. Plante um abraço por hora. Reconheça as pessoas. Cuida de ir atrás dos seus objetivos, mas com calma. Faça ao menos uma coisa direito.
Você é cheio de sonhos. Quem não é? Para de tentar fazer o almoço, varrer a casa, dar banho no menino e escrever um romance ao mesmo tempo. Vai com calma. Faça por etapas. Não viva o dia como se fosse o último, ou você quer que seu último dia seja apenas uma correria? Você quer que seu último dia seja apenas um rascunho pela metade do que você é? Viva cada dia de cada vez, vai. Não vai dar tempo de fazer tudo, mas nunca da, mesmo. Faz o que é necessário e no meio de tanta coisa, ame, se der.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Uma dose de loucura pra viver.


Suponho que não há mais sanidade no mundo. O que nos diferencia dos verdadeiros loucos é o pouco do senso do ridículo e consciência que ainda nos resta. Fora isso, somos todos iguais. Farinha do mesmo saco.
Ser feliz, ter dinheiro e uma boa casa para morar é o sonho de qualquer pessoa. Ora, quem não gostaria de viver com conforto e sem estresses e tristeza?
Ser feliz é fazer o que gosta, ter paciência com os filhos e se cansar de tanto trabalhar, mas perceber que além de necessário, é oportunidade de conhecimento e utilidade. Ser feliz é sair em um domingo, sentar perto da praia e observar a água batendo na areia. Ser feliz é sair com os amigos, passear com os pais e comprar besteiras. Ser feliz é ser um pouco louco, também. Se atrasar para um compromisso, sentir preguiça e fazer as coisas de última hora, para sentir um pouco de adrenalina no sangue.
Há quem diga que louco é quem se arrisca demais, não se preocupa o suficiente, tem momentos extremos de raiva e chora compulsivamente. Ora, quem nunca passou por isso? Então, peço licença para dizer que TODOS somos loucos. Todos. Inclusive você que está sentado em frente ao computador, resolvendo inúmeros problemas e pensando que o salário é curto. Aposto que deve estar pensando "Bem que eu gostaria de largar esse emprego, falar poucas e boas para o meu chefe e tirar longas férias". Tal pensamento é impulsivo, coisa de louco.
Suponho que para ser normal, tem que ser louco. Suponho que para ser louco, deve esquecer que é normal.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Santa Nostalgia!


Chegamos ao limite do mundo. Não sei onde estaremos daqui a alguns anos. A tecnologia tem acabado com a verdadeira esperança. Ando sentindo falta de coisas antigas, mesmo sendo tão nova. Nasci na época errada. Devo ter uns 40 anos, pra falar a verdade. Me contento em ser feliz com as minhas pequenas coisas e ao mesmo tempo sou tão atual. Tão avançada. Nunca estou no presente propriamente dito. Fico com um pé no passado e outro no futuro. O meio termo nunca me interessou, mas é bom ficar num impasse de vez em quando. Sou a espera de mim mesma. Continuarei sentada, escrevendo e sendo. Ser não é um crime. Em relação ao resto, vocês tecnológicos que se entendam. Se programem de forma certa, por favor.
Essa coisa de querer acabar com os livros tem me tirado a paz. COMO É QUE É? Tirem logo a minha liberdade. Tenho medo de dormir e acordar em outro mundo. Que infelicidade seria perder minhas coisinhas. Que triste seria não ser eu. Outro dia sonhei com o mundo. Outro dia criei a vida.
Resolvi experimentar escrever de manhã, quando o raciocínio ainda está um pouco lento e mal conseguimos abrir os olhos direito. Saí de um sonho para outro. O som da máquina me deixa feliz. Até os erros não me irritam tanto. Não sei por que tenho errado tanto. Acho que estou perdendo a prática. Que coisa. Às vezes sou estrangeira no lugar onde vivi a minha vida toda. Vai entender. Acho que não pertenço a lugar nenhum. Enfim sou livre. Nasço e morro todos os dias. Enfim não sou o tédio.
Viver é um show que não pode parar.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Clarice

Clarice voltava para casa claramente cansada de tanto andar, andar, andar e não achar um lugar que lhe transmitisse paz. Já não esperava que o telefone tocasse e a pessoa do outro lado da linha lhe falasse a notícia tão esperada que mudaria seu dia. Estava assim: completamente frustrada. Como se nada pudesse piorar, começou a chover e logo muitas pessoas corriam freneticamente procurando uma abrigo, deixando-a completamente perdida em um lugar que conhecia bem. Já não aguentava tanta confusão. Sentiu uma enorme vontade de gritar, até que de repente o tempo pareceu parar e a deixou petrificada no meio de pessoas apressadas, chuva agressiva e sua própria confusão. Esse era o momento de ter um pouco de paz.
Sentou-se em um único banco seco e começou a observar todas as expressões vazias, frias, igualmente cansadas também. Desligou o telefone desistindo do telefonema, da pessoa, da notícia.Agora tudo estava muito incerto e ela não queria mais nada. Só queria ficar ali. Invisível. Insensível. Apenas seu corpo.
Deixou que a chuva tocasse o seu rosto e foi se entregando a cada gota, como se fosse uma passagem de sua vida. Lembrou-se de tantas coisas alegres e permitiu-se sorrir um pouco. Lembrou-se de tantas coisas tristes que quase ficou sem ar de tanto chorar. Já não se importava com quem estava perto ou com o que alguém poderia pensar. Aquele era o seu momento e nada mais importava. Libertou-se de forma tão forte que já nem conhecia o próprio corpo. Era apenas alma, sentimentos, um coração batendo forte. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Estou aqui. Minha cabeça nem tanto, mas estou de corpo presente. Fico olhando para a tela do computador durante horas e nada. Nada quer sair, apesar de ter tanta coisa que precisa ser dita.
Começo a ficar agoniada com esse vício de ter-e-não-conseguir-escrever, entende? Parece que os pensamentos estão tão acumulados e bagunçados, que mal conseguem  se mexer e muito menos querem sair.
Já não produzo tanto quanto antes e nem se quer consegui chegar à glória do êxtase, do estado de graça. Tenho vontade de pegar todos esses pensamentos e sortear ao menos um para ser alguma coisa. Tenho vontade de fotografar minhas loucuras, minhas saudades, meus encantos, meus medos. Queria ficar olhando pra eles por horas. Queria poder mostrar o que passa em mim e o que sou, de fato.
Aqui estou eu. Estou cansada, sonolenta, um pouco sem paciência, meio desligada. Ora presto atenção em tudo, ora esqueço até quem sou. Isso não é idade e nem doença. Isso é coisa de gente que voa demais, de gente que pensa demais, de gente que tem mania de sonhar acordada. Coisa de gente que mistura realidade com fantasia, mas ainda consegue passar a imagem de uma pessoa séria e em sã consciência.
Na verdade, eu queria poder ir além de todas essas barreiras, de todas essas correntes que insisto em nadar contra. Queria poder mudar alguma coisa, ser alguém importante. Tenho medo de morrer e não deixar alguma coisa que possa contribuir, mas quando penso bem, entendo já que contribui com a vida de muitas pessoas, não importa como.
Costumo me inspirar quando estou dirigindo e escutando música alta. Costumo me inspirar quando fico sentada olhando as pessoas. Costumo me inspirar quando vejo a chuva, o vento e essas coisas que parecem banais, mas que são tão importantes e belas, que nem a gente. A gente parece ser igual a qualquer um. Parece que a gente passa despercebido, mas todo mundo é bonito. Todo mundo é banal e precioso. Eu sou banal, preciosa e bonita.
Quero muitas coisas da vida. Coisas simples, mas quero, sabe? Quero poder dormir um pouco até a tarde. Quero poder dar uma volta com os meus amigos e conversar durante o pôr do sol. Quero ler um livro em um dia quente, onde tudo que a gente mais deseja é não ter que pensar. Quero sorrisos, abraços, lágrimas. Quero amar. Quero ver o mar. Quero viajar, sonhar e realizar, claro. Preciso realizar algumas coisas. Quero ser. Eu amo ser!