terça-feira, 19 de novembro de 2013

Banho de chuva. Eis um ponto interessante. Fazia tanto tempo que tinha me esquecido o quanto é fácil e barato ser feliz. Gasto tanto com pequenos prazeres, enquanto a natureza me oferece a felicidade da forma mais crua. A agua batendo no rosto, limpando a maquiagem, a alma, o lixo todo. Todos somos cheios de lixo e talvez seja por isso que as cidades estão tao sujas, afinal, o nosso ambiente é o reflexo de quem somos. Como manter um ambiente limpo, se estamos sujos por dentro? Sentir a chuva me faz enxergar melhor. Enxergar de verdade. Sem procurar razões plausíveis. Sem tentar criar ou me apropriar de uma teoria pra tudo. Entendo que o caos em mim seja o ápice e a alma da minha arte ou disso que chamo de arte. Escrever é isso, dominar com palavras ou frases boas o que nos domina, o que nos tira o sono. Pra mim,o estado de graça vem através dessas palavras embaralhadas. Através desse quebra cabeça de palavras que servem pra mim e pra quem está do outro lado. O quanto sou parecida com todo mundos e o quanto todo mundo é aparecido comigo, a ponto de alguém se enxergar no que escrevo? No que muitas vezes nem estou sentindo, mas que leio no outro. Nem sempre escrevo sobre mim. Na verdade, quase sempre escrevo sobre o outro, porque por uma razão estranha, consigo enxergar além do que é permitido pra mim. O silêncio e o observar que pratiquei durante anos serviram e muito bem pra isso? Até que ponto consigo entrar no mundo de alguem apenas com as minhas palavras, da mesma forma que alguns escritores entram e desvendam o meu? Enxergar isso requer paciência, muita chuva, muito café e muito caos. Que o caos sirva ao meu favor!

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