quarta-feira, 24 de julho de 2013

Devaneio de um futuro bom

Parece que estou entrando em estado de graça. Estou sozinha, no escuro, mas consigo ver perfeitamente você passando pela sala. Sinto, de forma tão intensa, o seu perfume, como se você tivesse acabado de sair do banho. Não sei direito o que é isso. Parece um misto de saudade com um ar de desejo de te ter aqui logo. Deito na cama. Olho para o lado e imagino você ao meu lado, segurando a minha mão e falando coisas bobas, como se não houvesse um amanhã, uma hora para levantar e encarar essa vida. Caio levemente no sono e acordo ouvindo sua voz. Que coisa estranha! Olho para o telefone, mas não estamos na ligação. A verdade é que eu fico vendo você dançando, cantando e me falando coisas sem nexo e percebo que não tem nexo porque não presto atenção. Acontece que eu,no meu estado limite de último romance, quero que você fique aqui. Eu, que não sou de distribuir afetos, quero segurar sua mão hoje, amanhã e para sempre. Eu, que não sei olhar nos olhos, quero me perder nos seus, da mesma forma que me perdi da primeira vez que soltei um "eu te amo", sem querer. Estou vivendo nessa simbiose perigosa que é a gente. Estou vivendo essa essência entre passado e presente. Ao mesmo tempo que lembro de você, eu projeto você. Eu realmente sinto você tocando seu nariz gelado no meu rosto. Realmente vejo você levantando, em pleno domingo, com o cabelo bagunçado e esperando que eu fale alguma coisa. Qualquer coisa. Nem que seja uma irônia matinal, daquelas que ninguém ri e nem chora. Quero te dar apoio, da mesma forma que quero fazer você balançar, para correr e se apoiar em mim de novo. Quero, entender, por fim, porque vejo todas essas coisas, de forma tão clara, mesmo estando no escuro.

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