sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Diferente x normal


Certa vez você disse que o meu jeito diferente que me fazia ser interessante. Não me acho interessante e nem acho que tenho um jeito diferente. Ora, sou tão normal. Gosto de livros, de cinema, de sorrir, escrevo um pouco e imagino bastante. Até as pessoas que gostam de parecer "fúteis" são assim. Na pior das hipóteses, gostam de filmes e livros que se encontram no mesmo nível. Gostam daqueles filmes que você só tem coragem de assistir se estiver com muitos amigos, para poder ter graça . Os livros, então, lástimas, mas não podemos julgar o livro pela capa e nem pelo autor e muito menos pelo leitor. Afinal, gosto é uma coisa muito individual e se eu começar a falar sobre isso, vai dar briga e eu nem tenho mais paciência para isso tipo de coisa.
Depois, você veio com aquela conversa de que tomo muito café e de que isso é coisa de velho. Aproveitou para falar que eu escuto muita música antiga. Só faltou dizer para eu escutar sertanejo. Tudo contra, mas respeito. Melhor que não mexa nos meus cds e muito menos no meu café, caso queira sair ileso dessas conversas. Aí eu comecei a perceber, não é que eu seja diferente e por isso sou interessante, é que hoje a maioria não tem os mesmos gostos que eu. Já estava ficando preocupada com esse negócio de ser diferente. Você e os outros falam como se eu fosse de outro planeta simplesmente por ser normal. Vai entender.
Cá entre nós, estranho é quem acha bonito ficar pagando mico só para chamar atenção e ser o comentário da noite. Estranho é o cara que jura amar a mulher, mas não consegue demonstrar um pouco de afeto. Estranho é você que fica me olhando e tentando me analisar, como se quisesse descobrir algo de mim, mesmo sabendo que não tem a menor chance.
Outra vez você me encontrou cantando sozinha na rua e perguntou se tinha acontecido algo extraordinário. Disse que não e você respondeu "as pessoas estão olhando". Ué, as pessoas tem que olhar, mesmo, ou você acha que estou aqui para ser mera figurante da minha própria vida? Não preciso de que aconteça algo excepcional para cantar sozinha na rua e nem para sair dançando por aí. Acontece que hoje as pessoas estão mais contidas. De tanto mascararem tristeza, estão mascarando até alegria. Faça um teste, aposto um terço da minha dignidade de que ao menos dez pessoas que ficaram olhando para mim queriam fazer o mesmo." Vamos cantar algo, galera. Nem precisa ser afinado, mas vamos cantar algo que preste, senão nem presta". Aí você começou a rir de mim e ficou pensando que sou louca, mesmo. Comecei a ficar um pouco irritada. Essa mania de estar enquadrado na formal aceitável da sociedade é chata demais, cara. Você só tem que ser do bem, ter caráter e ser feliz sem precisar passar por cima de ninguém. Sabe, deixa de lado essa pressão, tira o paletó, coloca uma regata e vai andar um pouco na praia. Sai mais cedo do trabalho e vai ver o por do sol. Vai ao cinema, canta sozinho no carro e para de se importar se alguém vai ficar olhando ou achando graça. Quem tem que achar graça é você. Quem tem que ser feliz é você. Se pensar desse jeito e agir assim é ser diferente e interessante, prazer, sou diferentemente interessante e feliz.

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