quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Uma carta para um eu distante.

Não sei mais sobre as horas e nem sobre o dia. Sei que tenho pressa de ir para casa. Tem gente me esperando lá.
Vou te deixar na rodoviária. Não esqueça de mim. Traga-me um presente, ta bom?
O dia está bom para viajar. A chuva não está grossa demais e nem fina a ponto de ser inofensiva. O vento não está congelante e soube que dentro do ônibus servem um bom café. Siga as instruções, ta bom? Preste atenção.
- Sente-se do lado direito, perto da janela. Você encontrará uma pessoa interessante sentada a sua frente. Ela estará lendo um livro e fumando um cigarro com cheiro de canela.
- Peça um café expresso para você e para essa pessoa. Ela gosta de café forte, portanto, um duplo para ela.
- Tente puxar algum assunto. Sei lá, pergunte sobre o dia, para que lugar está indo ou se tem filhos. Use a criatividade que eu sei que tem.
- Seu relógio está quebrado, então não serão 3:15 quando você olhar para ele. Provavelmente já serão umas 5:15. Não esqueça de conserta-lo quando chegar no ponto final. Quando você descer, encontrará um senhor que sabe mexer em um relógio como ninguém. Ele vai entregar a você um lenço, também. Acho que está ficando gripado.
- Jogue a carteira de cigarro fora. Está na hora de mudar de vida.
- Corra para o apartamento. Terá música tocando, os móveis estarão arrumados e a única coisa que precisará fazer é a seguinte: ESCREVER.

Fique o tempo que precisar em frente a máquina. Troquei a tinta. Aquela estava me irritando.
Bom, como seu consciente, devo dizer que fiz tudo que podia por você. Sou do tipo que não desiste e que não quer morrer. Dependo de você agora. Use a sua experiência e piedade. Traga-me de volta, vai. Posso ajudar você a escrever e a imaginar coisas que você nem sonha. Sou mais interessante que carteiras de cigarro e energéticos baratos. Não destruirei seu corpo.

Com amor,

você.

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