sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012





Separei a minha melhor roupa. Levei horas me arrumando e quando saí, esqueci de pegar a carteira.
Agora estava bonita, limpa e sem dinheiro.
Sentei em um banco de praça e fiquei observando as pessoas. Às vezes não consigo acreditar que exista tanta gente patética, mas isso não não interessa agora.
Acontece que achei alguns trocados perto do lixeiro. Com fome, peguei o dinheiro e fui correndo comprar um cachorro-quente. Depois fiquei pensando de quem deveria ser aquele dinheiro e se ele teria uma importância muito grande. Comecei a imaginar que aqueles trocados eram o que faltava para comprar um casa, ou um remédio que poderia salvar uma vida. Imaginei que alguém, morrendo de fome, o deixou ali para chamar os seus filhos "temos dinheiro o suficiente para comer, crianças".
Comecei a ficar enjoada e com peso na consciência, mas terminei de comer o cachorro-quente e ainda pedi uma coca-cola, para acabar de vez com a esperança do verdadeiro dono do dinheiro.
Voltei para casa e não consegui dormir. Fiquei imaginando a falta que aquelas moedas fariam. Levantei na manhã seguinte e a primeira coisa que fiz foi pegar a carteira. Não me arrumei e muito menos passei perfume. Voltei ao mesmo lugar e devolvi o dinheiro, com um pouco a mais, porque não tinha trocado.
 Agora seja "o que Deus quiser".

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