quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Não quero perder tempo





Quando essa coisa estranha começa a chegar, procuro te enviar cartas em branco, mas com muitas coisas escritas e borradas. Quando a angústia começa a querer me vencer, fecho os olhos e viajo em todas as lembranças de dias bons e sorrisos sinceros. Tem horas que canso e quero te mandar embora, mas antes de ir, parece que o seu rosto fica trinta vezes mais bonito e que você acabou de sair de um estado de graça. Acabo desistindo dos gritos, de te mandar embora e de me deprimir com muito sorvete, filmes tristes e músicas suicidas.
Rasgo todas as cartas em branco. Bagunço a cama e coloco duas xícaras de café em cima da mesa para alimentar o nosso vício e essa coisa estranha que chamamos de amor. Penso que foi só uma crise e que mais tarde estaremos conversando sobre a novela e percebendo que poderíamos ser mais intelectuais ou espertos. Você me abraça. Você promete não brigar e aceitamos que só foi uma briga besta, intensa, interna e cansativa. Acho que vamos dormir por algumas horas e no outro dia tudo já estará bem.
Eu não quero mais perder as minhas coisas. Eu não quero mais perder tempo, sabe? Vamos brigar mais um pouco. Vamos chorar mais um pouco. Vamos brindar muito. Vamos transformar qualquer coisa em festa e pronto. Vou levantar e passar o dia escrevendo. Você vai levantar e passar o dia fazendo qualquer coisa.  Vamos arrumar o quarto, por favor. Não aguento essas coisas jogadas no chão e você não aguenta papéis e frases soltas por aí, perdidas e esquecidas. Você quer que eu escreva. Eu quero que você seja feliz.
 Falta quanto tempo agora? Não quero mais perder tempo. Não quero perder fotografias. Não quero mais perder o sono, também. São três horas da madrugada e todas essas coisas me fazem perder tempo. Já considerei tudo que deveria e agora vou dormir. Vê se não demora para desligar as luzes, por favor.

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